Meu escritório é na rua: como gerir um negócio sem sede

Proprietário de um food truck, Teo fala como gerencia as operações da empresa

Trabalhar fora das quatro paredes de um escritório convencional é o sonho de muita gente. Para Teo Nunes, 41, essa realidade se tornou possível quando ele percebeu a movimentação em torno de uma nova tendência que aparecia no Brasil, o food truck. Em meados de 2014, já se criava um burburinho em relação aos veículos adaptados e utilizados para servir refeições, especialmente em festivais. E Teo ficou de olho nisso.

“No Brasil o food truck chegou como uma comida gourmetizada, mas na realidade ele nasceu como um movimento para oferecer refeições de qualidade e baratas. É isso que queremos fazer no futuro”. Teo Nunes

O carioca trabalhava havia 15 anos na mesma empresa, e não tinha mais perspectivas de crescer. Começou a procurar um negócio paralelo, e logo deparou com os trucks. Aliado a isso, começou a aparecer também outra febre: a dos programas de culinária. “Sempre gostei de cozinha, e minha esposa e eu começamos a ver muito entretenimento de gastronomia. Hoje, em qualquer canal tem pelo menos um programa desse gênero”, diz.

À época, o investimento em um truck era barato, e Teo resolveu arriscar. Foi assim que, um pouco antes da Copa de 2014, nasceu o Marley’s, que serve hambúrguer. O casal aproveitou o movimento de turistas gerado pelo evento esportivo, que acontecia aqui no Brasil. O mesmo ocorreu durante as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Dessa vez, Teo decidiu largar o emprego formal e investir de vez no Marley’s.

“Sempre gostei de cozinha, e minha esposa e eu começamos a ver muito entretenimento de gastronomia”.
Teo Nunes

Da cozinha de casa para a Europa

Ele e a esposa começaram montando o negócio em casa. Transformaram a cozinha de casa em uma cozinha industrial, com quatro freezers, máquinas de embalagem a vácuo e fornos. O food truck ficou alocado em pontos de alta movimentação. Hoje, está em um parque de trucks na Tijuca, no Rio de Janeiro.

A empresa deu certo. Teo expandiu o negócio para um bar e pub de mesmo nome, o The Marley’s Pub, em outra região da cidade. Os desafios do negócio não são poucos. “É uma operação “se vira nos 30”. Há uma cadeia de complicações, como impostos, incentivos… “É preciso se organizar”, conta ele, que hoje gerencia 12 funcionários. Para fazer a contabilidade, Teo recebe a ajuda da esposa Renata, que era gerente financeira antes de se juntar ao marido na empreitada.

“É uma operação 'se vira nos 30'. Há uma cadeia de complicações, como impostos, incentivos... É preciso se organizar”.
Teo Nunes

Aqueles que, assim como o Teo, trabalham na rua e precisam de soluções rápidas para checar as contas, precisam da ajuda de um sistema de gestão financeira. O QuickBooks, por exemplo, pode ser acessado pelo computador ou pelo smartphone. O empreendedor consegue registrar todos os dados do seu fluxo de caixa, e gerar relatórios fáceis de visualizar. Assim, mesmo sem escritório, ele mantém uma visão completa da saúde financeira do negócio.

Os planos de Teo miram destinos mais distantes. Ele acredita que a “febre” dos trucks pode já ter passado um pouco, e quer empreender em algo mais simples, talvez na Europa. “O food park é uma cultura diferente fora do Brasil. Há movimento constante e núcleos bacanas”, explica ele, de olho no mercado fora. “No Brasil o food truck chegou como uma comida gourmetizada, mas na realidade ele nasceu como um movimento para oferecer refeições de qualidade e baratas. É isso que queremos fazer no futuro”.