Música

15 de junho de 2018

Clássicos que se tornaram trilhas e vice-versa

Parceiros de muito sucesso, a sétima arte e a música clássica possuem ligação tão forte que é quase impossível falar de um sem mencionar o outro. De tão marcantes, alguns temas em seus primeiros acordes automaticamente conectam o ouvinte às suas memórias cinematográficas. Considerado por muitos o maior diretor da história, Stanley Kubrick, por exemplo, criou cenas inesquecíveis utilizando clássicos como trilha.

Casos da célebre sequência de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, que contou com os acordes de Assim falou Zaratustra, de Strauss; da trama de Laranja Mecânica, pontuada pelos movimentos da Nona de Beethoven; e de um dos trechos mais tensos de O Iluminado, ao som de Music For Strings, Percussion and Celesta, de Bartók, além da “Valsa nº 2” da “Suíte para Orquestra de Variedades”, de Shostakovich, usada de forma impactante em De Olhos Bem Fechados.

Junções bem-sucedidas não são exclusividade de Kubrick, no entanto. Ainda em preto e branco, Charles Chaplin coloriu a famosa cena do barbeiro em O Grande Ditador com Brahms e sua “Dança Húngara nº 5”. Francis Ford Coppola, por sua vez, recorreu à Cavalgada das Valquírias, de Wagner, para acentuar os dramas da guerra em Apocalypse Now. E Federico Fellini encontrou no Momento Musical nº 3, de Schubert, a trilha sob medida para uma das mais belas passagens de E La Nave Va.

Há ainda associações mais complexas, com resultados igualmente brilhantes. Uma delas está em O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme. Disposto a valorizar cada detalhe do thriller de Thomas Harris ao adaptá-lo para as telas, o diretor escolheu Variações Goldberg, de Bach, para a aguardada ceia de Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) na prisão. O motivo? No texto original, Harris citava a admiração do serial killer fictício pela obra do compositor alemão. Foi o que bastou para mais um clássico sair das salas de concerto diretamente para as de cinema.

Filmes inspirados no universo da música sucessos de público lembram que o clássico pode ser popular e vice-versa, como Amadeus, drama de Milos Forman dedicado à conturbada biografia de Mozart; Impromptu, comédia romântica de James Lapine permeada pela obra de Chopin; O Segredo de Beethoven, de Agnieszka Holland, com o ator Ed Harris no papel do genial compositor, e O Pianista, autobiografia do músico polonês Wladyslaw Szpilman, levada às telonas por Roman Polanski.

Não podem ser esquecidos ainda os compositores eruditos que se consagraram por meio de trilhas sonoras originais, como Nino Rota (O Poderoso Chefão, 8 ½ ), Enio Morricone (Três Homens em Conflito, Cinema Paradiso) e o grande escudeiro de Steven Spielberg, sir John Williams (Star Wars, Indiana Jones, E.T.).

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