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São Paulo, 5 de julho de 2019. Cerca de 200 pessoas assistiram, na noite de ontem (4/7), na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), à cerimônia de outorga do colar Carlos de Souza Nazareth à Fundação Bradesco, ao jornal O Estado de S.Paulo e ao coronel Luiz Eduardo Pesce de Arruda, membro do Comitê de Civismo e Cidadania da ACSP. Lázaro de Mello Brandão, presidente da Fundação Bradesco, e Francisco de Mesquita Neto, presidente do jornal O Estado de S. Paulo, receberam o colar representando as instituições.

Organizado pelo Comitê de Civismo e Cidadania da ACSP desde 2002, a cerimônia celebra o aniversário da Revolução e presta homenagens a pessoas e instituições que, por seus relevantes serviços prestados à sociedade, tornaram-se dignas de reconhecimento. “Essa é uma data que nós, paulistas, temos o desejo de comemorar”, disse Alfredo Cotait Neto, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). “A ACSP foi protagonista na revolução, apoiando o movimento em logística e mobilizar popular”.

Para Samir Nakle Khoury, coordenador do Comitê de Civismo e Cidadania/ACSP, a outorga do colar é o resgate de um marco da nossa democracia. “Também promove a justiça aos 2 mil patriotas que lutaram por ideias nobres”.

Cafezinho na ACSP

Nascido em 1926, Lazaro Brandão ainda era criança quando aconteceram os primeiros disparos das carabinas paulistas na revolução. Aos 16 anos começou a trabalhar na Casa Bancaria Almeida & Nogueira, instituição que deu origem ao Banco Brasileiro de Descontos S.A. que, posteriormente, teve a razão social alterada para Banco Bradesco. Na sua carteira de trabalho há o primeiro registro formal, datado em 1º de setembro de 1942, com o singelo cargo de escriturário. “A honraria da ACSP complementa a conduta da Fundação Bradesco, que é ter uma solidariedade e dar uma grande contribuição para a educação, que implica não só somar e dividir, mas também a integração espiritual, de comportamento e de ética”.

Economista e administrador de empresas, ele passou por diversas posições no banco fundado por Amador Aguiar. Em 1963 se tornou diretor do Bradesco e 14 anos depois, vice-presidente. Em 1981 recebeu o bastão das mãos do próprio Aguiar e assumiu a presidência executiva do banco. A partir de 1990 também passou a comandar o Conselho de Administração do Bradesco.

Desde 2017 Brandão não é mais executivo do banco, mas mantém o cargo de presidente da Fundação Bradesco. A entidade promove a inclusão e o desenvolvimento social e oferece educação gratuita a milhares de pessoas. A fundação possui 40 escolas e já atendeu mais de 94 mil alunos.

Durante a entrega ao colar para Brandão, Cotait lembrou que a ACSP e o banco são parceiros de longa data. Uma das primeiras agências do Bradesco foi na Rua Alvares Penteado, bem próxima da ACSP. Na época, Brandão costumava ir à associação para tomar café com os seus diretores.

Irmandade

Francisco Mesquita Neto, atual presidente do jornal O Estado de S.Paulo, é neto de Júlio de Mesquita Filho, jornalista que esteva à frente do jornal durante a Revolução de 32. Ele foi um dos homens que ocuparam a linha de frente na exigência de uma nova Constituição para o Brasil. Com a derrota de São Paulo, Mesquita Filho foi exilado por ordem de Getúlio Vargas. Em sua viagem rumo ao exilio, compartilhou o mesmo trem com Carlos de Souza Nazareth, que também foi deportado por Vargas. “Esse é um evento que marca uma irmandade entre o Estadão e a Associação Comercial desde suas origens. Essa irmandade é baseada em valores, principalmente em defesa da democracia e da livre iniciativa”, disse Francisco Mesquita Neto.

Para ele, o ano de 1932 foi um marco. “Podemos ter sido derrotados na guerra, mas vencemos na moral”.   

Maria Soldado

Um colar também foi entregue ao coronel Luiz Eduardo Pesce de Arruda. Entusiasta em preservar viva a memória de 1932, o militar é especializado na história da Revolução Constitucionalista e realiza palestras narrando os feitos dos combatentes paulistas.

Arruda lembrou do papel das mulheres na revolução, que doaram alianças de ouro para ajudar nos custos dos combates e costuraram fardas. Ele lembra que quatro mulheres atuaram no front. O caso mais conhecido é de Maria Soldado, que atuou lado a lado dos homens no campo de batalha. Anos mais tarde, quando Getúlio Vargas veio a SP inaugurar o túnel Nove de Julho, pediu para conhecer Maria. Ela, mesmo sem vontade, foi ao evento. Chegando lá, Getúlio estendeu a mão a ela, que respondeu “Eu não aperto a mão de ditador”.    

ACSP na Revolução

Em 1932, sob a presidência de Carlos de Souza Nazareth, a ACSP participou das tentativas de diálogo com o governo federal ao lado de outras lideranças, reivindicando respeito a SP e à autonomia do estado, que vinha sendo negado pelo então presidente Getúlio Vargas, que revogou a Constituição e centralizou a administração política e econômica do País.

Acompanhando o sentimento geral da população paulista, a ACSP engajou-se na campanha pela defesa de uma constituinte imediata, que culminou na deflagração da revolução. Assumiu funções de suporte ao movimento: cuidou das finanças, da intendência e do abastecimento, colaborou para o alistamento e ajudou na captação e distribuição de donativos. Fez também a campanha “Ouro para o bem de SP”, cujos recursos remanescentes foram doados à Santa Casa de Misericórdia. Vencido no campo militar, devido à superioridade de recursos do governo federal, SP foi vitorioso no plano moral por lutar pelo estado e pelo Brasil.

Por ter assumido a responsabilidade pela participação das classes empresariais paulistas na revolução, Carlos de Souza Nazareth foi preso e exilado, mas viu seus ideais vencerem, quando em 1934 foi convocada a constituinte pela qual ele tanto lutara.

Veja fotos do evento no Flickr da ACSP

 

Por ACSP

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