Expressão de Opinião

Entrada da indústria nacional marca nova fase do mercado de remédios para obesidade e diabetes

Com o fim da exclusividade da semaglutida no Brasil, novas marcas ampliam a oferta e a distribuição do tratamento, em um cenário que combina maior acesso e a necessidade de reforçar a segurança do paciente diante de produtos sem procedência

19 de março de 2026 | 0h01

Foto: Getty Images

O mercado brasileiro de medicamentos para obesidade e diabetes passa por uma mudança estrutural. Com o fim da exclusividade da semaglutida – princípio ativo que ganhou protagonismo no tratamento dessas condições –, o País entra em uma etapa marcada pela ampliação da oferta, maior presença territorial e diversificação de marcas disponíveis. Esse movimento tende a facilitar o acesso e reforça a importância de atenção à procedência dos produtos e ao uso com acompanhamento médico, em um contexto em que medicamentos irregulares já circulavam no mercado. 

É nesse contexto que a parceria firmada entre as farmacêuticas Novo Nordisk e Eurofarma, em outubro de 2025, busca estruturar essa expansão com base em critérios de qualidade e rastreabilidade. Pelo acordo, a Eurofarma passou a ser a primeira empresa farmacêutica brasileira a comercializar duas novas marcas da Novo Nordisk no País (Extensior e Poviztra), que se somaram às já existentes (Ozempic, Wegovy e Rybelsus), elevando para cinco o total de opções disponíveis no mercado nacional.

“Hoje, no Brasil, um dado recente do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostra que 62% da população brasileira está acima do peso. 25% da nossa população hoje já tem o diagnóstico de obesidade. Além disso, os dados mostraram também que 12% da nossa população têm diabetes”

Priscila Mattar, vice-presidente da área médica regulatória da Novo Nordisk

Novo cenário

A expansão ocorre em um país em que excesso de peso, obesidade e diabetes avançam de forma consistente. Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que mais da metade da população adulta convive com sobrepeso, enquanto a obesidade já atinge cerca de um quarto dos brasileiros. O diabetes também segue em crescimento. Nesse contexto, a ampliação do acesso também responde à dimensão epidemiológica dessas doenças no País. “Para doenças tão relevantes, é fundamental garantir uma cobertura geográfica ampla”, afirma Luis Boechat, diretor executivo global de Assuntos Médicos Regulatórios da Eurofarma.

Para Priscilla Mattar, vice-presidente da área médica regulatória da Novo Nordisk, os números ajudam a dimensionar o desafio. “Hoje, no Brasil, um dado recente do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostra que 62% da população brasileira está acima do peso. 25% da nossa população hoje já tem o diagnóstico de obesidade. Além disso, os dados mostraram também que 12% da nossa população têm diabetes”, afirma.

O acordo contribui para essa necessidade de aumentar o alcance do tratamento no Brasil. “Essa parceria permitiu ampliar muito a disponibilidade dessas medicações, não só nas regiões já abrangidas, mas principalmente em novas regiões não atendidas pela indústria farmacêutica normalmente”, diz Boechat. De acordo com ele, a companhia alcança mais de 4,7 mil municípios, cerca de 90% do território nacional.

Cinco marcas

Segundo Priscilla, as novas apresentações preservam as características da versão original. “As novas marcas são a semaglutida original biológica, são idênticas, fazem parte do mesmo processo de produção através de biotecnologia e das mesmas plantas de produção”, afirma.

O respaldo científico também sustenta essa expansão. Segundo a Novo Nordisk, a molécula foi avaliada em mais de 60 estudos clínicos, com a participação de mais de 50 mil pacientes, além de uma experiência global consolidada, com mais de 30 milhões de pessoas tratadas anualmente.

Sinal vermelho

Se a ampliação da oferta representa avanço, especialistas alertam para o risco crescente de produtos irregulares, especialmente em um momento de maior visibilidade desses medicamentos. Nesse contexto, ampliar o acesso a tratamentos eficazes e, sobretudo, seguros — sempre com prescrição e acompanhamento médico — torna-se também uma forma de enfrentar esse cenário, que pode colocar a vida das pessoas em risco ao expô-las a medicamentos irregulares.

Priscilla destaca que o principal risco está na falta de garantia sobre a origem e as condições do produto. “O paciente precisa estar atento. Se está comprando um medicamento num canal regular, em uma farmácia devidamente aprovada pela Anvisa. Se o medicamento é original, e existem formas de a gente identificar isso”, alerta.

Ela cita sinais de atenção como preços muito abaixo dos de mercado e venda fora de canais autorizados. “Nesses casos, não há nenhuma rastreabilidade da cadeia de produção, do grau de impurezas e não há uma avaliação de uma agência regulatória. Então, o paciente fica exposto a riscos que hoje a gente nem conhece”, conclui.

Eurofarma CAE: 0800-704-3876 | www.eurofarma.com.br © Novo Nordisk Farmacêutica do Brasil Ltda. | ® Novo Nordisk A/S - SAC: 0800 014 44 88 | www.novonordisk.com.br Material destinado a público geral BR26NNM00056/Março 2026 - Novo Nordisk A/S. Semaglutide clinical program: trial/participant totals. Data on file; 2024. Novo Nordisk A/S. Global patient reach: annual patients treated. Data on file; 2024.

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