Presença feminina em cargos de liderança cresce globalmente, mas é necessário acelerar os avanços

Pesquisa realizada pela Deloitte indica que, embora o número de mulheres nos conselhos das empresas esteja crescendo, o tempo médio de permanência nos cargos ainda é inferior ao de seus pares masculinos.

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22 de março de 2022

Nos últimos anos, temas ligados à diversidade, equidade e inclusão começaram a ocupar cada vez mais espaço na agenda das organizações. A pesquisa Women in the boardroom, realizada pela Deloitte em 10.493 empresas de 51 países, incluindo o Brasil, revelou que as organizações estão, em geral, muito mais atentas e preocupadas em avançar na equidade de gênero em cargos de direção. Com a ressalva de que ainda há muito a se fazer, é possível afirmar que os avanços recentes na equidade da presença de homens e mulheres em posições de liderança já mostram resultados – uma tendência que se deve consolidar.

“A conscientização que vem acontecendo nos últimos anos em relação à equidade de gênero levou a ações mais concretas dos governos e da iniciativa privada para vermos a participação feminina aumentar nos cargos de liderança”, afirma Venus Kennedy, sócia da Deloitte e líder do Delas, programa de diversidade de gênero da organização no Brasil. “Claro que ainda há um longo caminho a percorrer, por isso precisamos continuar a nos concentrar não apenas no resultado de uma maior diversidade de gênero nos conselhos, mas na variedade de fatores que afetam esse resultado, como os aspectos estruturais e culturais das organizações e sociedades”, explica a executiva.

Um dos dados mais significativos trazidos pela edição 2022 da pesquisa é que as mulheres ficam menos tempo em seus cargos do que os homens. Segundo o estudo, em números globais, as executivas permanecem, em média, 4,4 anos em uma cadeira de conselho, ante um tempo médio de 5,8 anos para os homens.

Outro ponto importante é a velocidade das mudanças. Uma média global de apenas 19,7% dos assentos no conselho é ocupada por mulheres, um aumento de 2,8 pontos porcentuais desde 2018. Se essa taxa de crescimento continuar, um cenário próximo à paridade ocorrerá somente por volta de 2045.

Perspectiva brasileira

De acordo com o estudo, no Brasil, as mulheres ocupam 10,4% de cargos executivos em posições de liderança. Esse total é significativamente menor do que o registrado na média mundial, em que as mulheres ocupam 19,7% dos cargos em conselhos de administração.

Em relação à última edição da pesquisa, o porcentual brasileiro representa um crescimento de 1,8% a mais de mulheres em conselhos – o que a executiva da Deloitte classifica como “encorajador”, apesar de abaixo da média global. “O aumento de 8,6% para 10,4% de mulheres ocupando posições em conselhos no Brasil é um lembrete de que esse foco e esses esforços podem ter resultados tangíveis”, aponta Venus.

Das 165 empresas que atuam no Brasil que participaram da pesquisa, 115 delas têm mulheres em conselhos. Porém, quando se fala em presença feminina na presidência desses conselhos, o estudo apresenta uma queda nesse índice: de 6,5% na edição anterior da pesquisa para 4,4% na atual.

Segundo o histórico da pesquisa, houve um aumento discreto (0,8%) de mulheres na presidência das organizações: 1,2% das empresas que atuam no Brasil contam com CEOs mulheres. Outro dado relevante detectado pela Deloitte a respeito de executivas C-level aparece na diretoria financeira (CFOs) no Brasil: 7,3% são mulheres ante 4% da edição anterior do levantamento.

Iniciativas que fazem a diferença

De acordo com Ângela Castro, sócia e líder da estratégia global de diversidade ALL IN da Deloitte, a própria organização adota políticas inclusivas de equidade de gênero, para promover a liderança feminina.

“É evidente que as mulheres ainda enfrentam barreiras para alcançar posições de liderança. Mas, se combinarmos esforços das empresas, o apoio de organizações não governamentais (ONGs) e o interesse dos governos, podemos imaginar uma melhora no futuro”, afirma. “Na Deloitte, fazemos isso por meio da estratégia ALL IN, com ações desenvolvidas a oito pilares, que se voltam a pessoas com deficiência; jovens aprendizes; mulheres; pessoas LGBTQIA+; pessoas negras; profissionais acima de 50 anos; e profissionais das áreas STEMs (voltadas à ciência e à matemática), entre outros grupos identitários”, completa a executiva.