O aumento de crimes financeiros e novas estratégias para combatê-los

Os crimes contra o sistema financeiro registram uma tendência de crescimento há pelo menos dois anos

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10 de janeiro de 2022

Os crimes contra o sistema financeiro registram uma tendência de crescimento há pelo menos dois anos – período em que os órgãos reguladores e fiscalizadores já haviam emitido muito mais autuações em relação a épocas anteriores. A pandemia fez com que os registros dessas ocorrências aumentassem ainda mais, obrigando as organizações a se adequar rapidamente ao novo cenário desafiador de prevenção e combate às fraudes e aos golpes.

No ambiente corporativo, a melhor ação para mitigar esses riscos é apostar em estratégias claras de investimentos em tecnologia, acompanhados por planos de reação e capacitação correta dos profissionais da área de segurança, em empresas que usam ou trabalham com pagamentos eletrônicos (varejo, e-commerce, etc.) e em instituições financeiras (como bancos, plataformas de investimentos e fintechs).

“Para que as instituições consigam efetivamente identificar, analisar, investigar e gerir as infrações de forma adequada, os programas têm que ser coesos e integrados, tanto local quanto globalmente”, destaca Alex Borges, sócio da área de Risk Advisory na Deloitte. Isso vale para organizações públicas e privadas.

Os investimentos anuais feitos por essas empresas na área de combate a crimes financeiros chegam à casa dos bilhões de reais, na aderência às regulamentações, inclusive entre as que atuam em áreas antes não tão exploradas pelos fraudadores, como o e-commerce.

“Organizações que antes não eram obrigadas a ter processos contra lavagem de dinheiro agora são. A partir do momento em que os marketplaces crescem, o que aconteceu em grande velocidade na pandemia, por exemplo, os criminosos enxergam nesse ambiente uma oportunidade, fazendo com que as empresas sejam obrigadas a reforçar o combate às fraudes e a crimes financeiros”, exemplifica Borges.

Esses desafios não se aplicam apenas para as empresas, aponta o executivo. “Os órgãos reguladores e fiscalizadores também tiveram que dar mais alguns passos rumo ao combate da lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo”, afirma Borges.

Nessa jornada, entidades como o Banco Central do Brasil (BC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) editaram e publicaram novas resoluções por meio da Lei 9.613 (Lei de Lavagem de Dinheiro), que dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens.

 Aumento das autuações requer adaptação rápida das empresas

As principais infrações registradas pelos órgãos reguladores dizem respeito à identificação e à manutenção de cadastro de clientes, ao registro de operações, à adoção de políticas, aos procedimentos e controles internos de prevenção ao crime de lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo, à manutenção de cadastro do supervisionado e ao atendimento a requisições do regulador/fiscalizador. Além disso, esse controle abrange também a comunicação de operações em espécie, de operações suspeitas, e de ausência de operações passíveis de comunicação ao Coaf.

No ano passado, as empresas reguladas pelo Bacen e pela CVM tiveram de se adequar a uma série de novas regras. Passado um ano das novas regulamentações, alguns processos já começaram a mudar.

Um dos exemplos são os bancos digitais e plataformas de investimento, que já concentram 67% de todas as transações financeiras no País. Para que não sirvam de meios para a prática de crimes, eles se viram obrigados a pedir atualizações dos dados cadastrais dos clientes, de acordo com a normatização emitida pela CVM, para identificar possíveis desvios ou práticas ilegais. Checar a veracidade das informações de quem está acessando determinado serviço é responsabilidade da instituição. Já a do cliente é se comprometer a atualizar seus dados em intervalos menores.

A adequação das estratégias digitais para a identificação antecipada de fraudes, permitindo medidas corretivas, passa pelo uso das modernas ferramentas de análise de dados e inteligência artificial, com aprendizado de máquinas (machine learning) para automatizar processos e cruzar informações sensíveis, permitindo a identificação de situações de alerta.

“Isso deve ser implementado com rapidez nas áreas de auditoria interna e compliance das organizações”, diz Borges, “uma vez que os controles manuais e tradicionais são mais demorados, custosos e suscetíveis a falhas do que a automação”.

Outro ponto importante é a adoção de ferramentas de treinamento. Elas devem ser eficientes e bem utilizadas para difundir a cultura da segurança, proteção e prevenção a fraudes e crimes em todos os níveis da organização.

Abordagem inteligente e centralizada

Em sua abordagem para crimes financeiros, prevenção ao crime de lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo, a Deloitte propõe uma série de mecanismos integrados dispondo de alta tecnologia e métodos eficientes de gestão com o objetivo de estabelecer políticas eficientes com base no chamado risk based approach.

 A missão da empresa é apoiar as organizações tanto no desenvolvimento quanto na implementação de estruturas de governança e suporte aos programas de combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro, englobando ainda o combate a situações de corrupção, sonegação, peculato, crime organizado internacional, crimes digitais e econômicos concorrenciais, fraudes no mercado de valores mobiliário e outras.

De acordo com Borges, entre as linhas de atuação da Deloitte estão o desenvolvimento e/ou aprimoramento de políticas e procedimentos aplicáveis à toda a empresa ou a linhas de negócios específicas – passando pela avaliação e remediação de riscos. Há ainda a aprimoração dos controles internos associados aos crimes, incluindo a análise de programas de compliance e a elaboração e aplicação de treinamentos internos.

“É importante ainda a realização da análise dos riscos associados a clientes, produtos, serviços, fornecedores, canais e geografias, bem como revisões transacionais forenses em determinadas situações”, diz o executivo.

Em apoio às empresas que desejam implementar ou melhorar seus mecanismos de combate aos crimes financeiros, a Deloitte presta, ainda, auxílio na seleção, implementação e calibragem de soluções tecnológicas relacionadas ao combate à lavagem de dinheiro, apoiando a diretoria jurídica em eventuais investigações internas.