Comunicação consistente com investidores ganha espaço nas agendas das organizações

Oferecer um contato mais próximo com as partes interessadas – considerando, além de indicadores financeiros, pontos de evolução em ESG – é uma pauta cada vez mais presente no cenário de negócios

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20 de dezembro de 2021

A pesquisa “Os novos desafios de comunicação para o RI: Responsabilidade ambiental, social e governança nas Relações com Investidores”, elaborada pela Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo, em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), mostrou que estreitar esses laços é uma pauta cada vez mais presente nas agendas corporativas.

O estudo foi realizado com 65 empresas (68% delas são listadas em bolsa de valores, no Brasil ou no exterior). De acordo com Reinaldo Oliari, sócio de Audit & Assurance da Deloitte, a pesquisa evidenciou que a migração da comunicação com os investidores para o ambiente virtual reforça a importância dos indicadores em comunicação digital. “A maior complexidade que os temas ligados à pauta ESG requerem é que profissionais de RI fortaleçam habilidades de multidisciplinaridade para lidar com os novos  desafios.”

Essas mudanças ficaram ainda mais urgentes com a crise trazida pela pandemia, diz Oliari, em que a circulação de informações na internet e em ambientes de negócios conectados aumentou e, ao mesmo tempo, cresceu o interesse dos investidores, impactados com as adversidades em saber mais sobre os negócios e seu desenvolvimento.

“Com isso, a preocupação das empresas se voltou para como oferecer uma boa comunicação para seus investidores e a importância de focar em pautas de ESG, além de investir em transparência nas relações. Este está sendo o novo foco”, aponta o especialista.

Como se comunicar de forma mais eficaz

A pesquisa mostra ainda que isso gerou um grande volume de novas práticas internas nas instituições, principalmente diante dos dados que circulam na internet que, se não forem bem tratados e explicados, podem até mesmo comprometer a reputação dos negócios e o valor das empresas. Tudo isso se traduziu em uma necessidade de adotar formas de comunicação mais eficazes.

O estudo detectou que 75% das empresas respondentes estão focando na consistência das mensagens-chave; 63%, na divulgação de indicadores não financeiros e 62%, na criação de canais mais interativos e próximos aos investidores. Além disso, para criar um relacionamento mais direto e coeso com seus públicos de interesse, 84% das empresas estão apostando em uma comunicação mais ativa dos próprios CEOs.

Conforme Oliari, não apenas temas financeiros foram enfatizados neste momento. Muito pelo contrário: de acordo com a pesquisa, criar e divulgar indicadores não financeiros ajuda a aproximar o contato com o público – assim afirmaram 86% das empresas participantes. Ao mesmo tempo, 65% acreditam que isso eleva a credibilidade da empresa e 49% delas consideram que a adoção desses índices ajuda no cumprimento de compromissos com investidores. Quanto a esse último ponto, 59% das organizações respondentes da pesquisa acreditam até mesmo que isso ocorra devido ao aumento da confiança dos investidores estrangeiros no mercado local.

O fator ESG

Essa importância atribuída aos indicadores, no entanto, aumenta a complexidade de uma boa implementação e comunicação dessas métricas ambientais, sociais e de governança corporativa no cotidiano das empresas.  “O estudo revela que 74% das empresas esperam aumentar o orçamento de ESG para 2022 e a maneira de comunicar esses indicadores virou um ponto de preocupação”, exemplifica o executivo da Deloitte.

Entre as empresas listadas, 75% já têm sua estratégia alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, 73% divulgam relatórios de sustentabilidade ou documentos equivalentes, enquanto 69% adotam uma matriz de materialidade para questões ambientais e sociais. Sobre os indicadores que já estão sendo usados pelas empresas, a pesquisa mostra que 72% são indicadores ambientais, 65%, sociais e 74%, de governança.

Novos canais de comunicação

Para comunicar melhor os dados, estratégias e planos para os investidores pessoas físicas, cada vez mais presentes nos planos de comunicação empresarial, as ferramentas digitais se revelaram canais poderosos para as organizações – com destaque para lives e conferências ou eventos online, plataformas usadas por 83% das empresas participantes do estudo.

Redes sociais e portais também vêm sendo adotados com frequência, com destaque para os sites de relações com investidores (em 59% das empresas), o e-mail (50%) e o YouTube (44%). Além disso, outras iniciativas, como Investor Days, press releases para imprensa, LinkedIn, ações com influenciadores digitais, Instagram, Twitter e podcasts, também estão sendo adotadas como ferramentas de comunicação.

“Para uma aproximação maior com esses investidores, os respondentes identificaram que os recursos de comunicação mais utilizados pelos influenciadores digitais são: informalidade na linguagem utilizada (59%), interação (59%), experiência pessoal (57%) e storytelling (56%)”, explica Oliari.

Um olhar especial para os profissionais que coordenam e colocam em prática todas essas comunicações também mostrou a real necessidade de investimentos das empresas na sua formação e no desenvolvimento de skills multidisciplinares, preparando-os para os novos desafios e demandas de comunicação.

Conclusões do estudo

Diante disso, a pesquisa revela ainda que 58% das empresas acreditam que a participação da liderança de RI nas decisões estratégicas da empresa aumentou em 2021, na comparação com a de 2020 e 72% acreditam que a multidisciplinaridade esteja entre os principais desafios para a formação de RIs.

Hoje, explica Oliari, as empresas procuram por profissionais de RI com as seguintes habilidades: agilidade, bom relacionamento interpessoal e pensamento crítico e analítico. De acordo com o especialista da Deloitte, o perfil vai mudar ligeiramente nos próximos cinco anos, fazendo com que outros critérios passem a ser vistos como importantes e até mesmo essenciais para área de RI.

“O que passará a ser cada vez mais valorizado pelas organizações serão as capacidades voltadas para tecnologia e comunicação, que irão emergir nos próximos cinco anos e serão capacidades demandadas do profissional de RI”, conclui.