Jovens brasileiros estão preocupados com finanças e emprego

Pesquisa revela que, apesar da preocupação, millennials e geração Z têm adotado ações positivas

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25 de outubro de 2021

Os profundos impactos causados pela pandemia e a consequente crise no cenário socioeconômico mundial aumentaram as preocupações, o estresse e a ansiedade com o futuro entre os millennials e os integrantes da chamada geração Z.

Ao mesmo tempo, os dois grupos – respectivamente, os nascidos entre janeiro de 1983 e dezembro de 1994 e os nascidos entre janeiro de 1995 e dezembro de 2003 – estão se transformando e buscando mudanças mais positivas, inclusive pelo fato de se sentirem responsáveis e comprometidos com as mudanças que serão demandadas pela nova sociedade.

Esses jovens esperam um posicionamento firme das empresas e instituições para impulsionar mudanças ao redor do mundo e vêm procurando se envolver mais em ações com propósito – com mais envolvimento em questões públicas, alinhamento de gastos, escolhas de carreira que reflitam seus valores, com o objetivo de poder agir mais ativamente em questões sociais que consideram mais importantes.

Ponto de desvio

A pesquisa Millennial & Gen Z Survey 2021, da Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo, entrevistou 22.928 pessoas nessas faixas etárias em 45 países, 800 delas no Brasil. Foi a 10ª edição desse estudo, que evidenciou que os jovens acreditam que estamos vivendo um “ponto de desvio” em direção a uma nova sociedade, mais preocupada com temas como questões ambientais, desigualdade e racismo.

Em comparação com a média global, millennials e pessoas da geração Z no Brasil são mais propensos a afirmar que a pandemia os inspirou a tomar ações positivas para melhorar suas vidas (86% dos millennials e 82% da geração Z no Brasil, contra 71% e 70% dos respondentes globais, respectivamente).

Marcos Olliver, sócio-líder de Talent da Deloitte, diz que esse claro posicionamento dos millennials e geração Z em torno de questões relacionadas ao futuro foi uma das principais tendências mostradas pelo estudo. “Eles estão responsabilizando a si próprios e às instituições para prover um mundo mais sustentável e equitativo”, afirma.

No caso do cenário brasileiro, aponta Olliver, destacam-se pontos como um grande nível de estresse e ansiedade. “Somando-se a isso, a pesquisa observou a preocupação com o desemprego, o combate ao racismo sistêmico, os efeitos da pandemia na sociedade e no futuro, o que os jovens esperam das empresas e a visão sobre economia, política e mudanças climáticas.” Isso aparece, de acordo com o executivo, já na escolha de carreiras que reflitam valores mais alinhados com essas preocupações.

Finanças e saúde mental estão entre as preocupações mais citadas

O estresse gerado por causas ligadas a finanças foi citado por mais de metade dos pesquisados como presente no dia a dia. Para a geração Z, empregos/perspectivas de carreira e o futuro financeiro de longo prazo são os principais fatores de estresse; para os millennials, suas finanças pessoais.

A maioria (52%) dos millennials brasileiros disse não se sentir à vontade para conversar com seus empregadores sobre a situação de incerteza trazida pela pandemia, apesar de sentir que as corporações podem fazer mais em relação à saúde mental dos trabalhadores. Essa geração brasileira se sente pouco apoiada no ambiente de trabalho.

“Promover conexões de trabalho mais abertas e inclusivas em que as pessoas se sintam confortáveis falando sobre estresse, ansiedade ou outros desafios de saúde mental que estão enfrentando é fundamental. Atualmente se tornou mais importante a criação de um local de trabalho que apoie o bem-estar dos funcionários”, afirma Marcos Olliver.

A preocupação mais citada pelos millennials foi o risco de ficar desempregado, seguido por cuidados com a saúde/prevenção de doenças e segurança; para a geração Z, estão o desemprego, a segurança e a saúde em terceiro lugar.

O fator social

As questões sociais, como a desigualdade e o racismo, apareceram com destaque no estudo, com muitos citando que as autoridades, em sua visão, têm se preocupado em proteger mais os interesses de empresas e pessoas em melhor situação do que adotar políticas de equidade social e distribuição de renda – o que foi citado por 39% dos millennials e 41% da geração Z.

Já o racismo foi citado como sendo generalizado – pelo menos um em cada cinco entrevistados se sente pessoalmente discriminado “o tempo todo” ou “frequentemente”, principalmente por conta de aparência. Porém, os respondentes do estudo da Deloitte acreditam haver saída, a partir de pontos como a atuação firme do governo e as mensagens propagadas por ativistas e entidades. As autoridades – governo, políticos, sistema jurídico e até empresas – são citadas, porém, como estando “fazendo pouco” para reverter a situação.

Lições da pandemia

Em relação ao futuro, o estudo mostrou que a covid-19 fez as novas gerações ficarem mais atentas a temas como cuidados com a saúde, proteção ambiental e atenção às necessidades de outras pessoas em suas comunidades.

“Em geral, ambas as gerações no Brasil são mais propensas do que os respondentes globais a acreditar que as pessoas darão mais importância à saúde no pós-pandemia, que a sociedade está pronta para lidar com futuras pandemias e que as pessoas estarão comprometidas em tomar medidas pessoais para questões ambientais e climáticas”, destaca Olliver.

Falando dessas preocupações, o estudo mostrou que a maioria dos millennials e da geração Z no Brasil aderiu às diretrizes internacionais de saúde pública durante a pandemia (82% dos millennials e 78% da geração Z). Os brasileiros ainda se destacaram por se dizer mais propensos do que os participantes globais (74% dos millennials e 69% da geração Z) a adotar cuidados futuros, como continuar a usar máscaras em público ou evitar lojas, transportes públicos ou outros lugares com aglomerações.

Millennials e geração Z do Brasil estão menos otimistas quanto à melhora da situação econômica geral do que nos últimos dois anos. No entanto, os jovens brasileiros são significativamente mais positivos do que os respondentes globais: metade dos millennials e 39% da geração Z acham que a situação econômica vai melhorar, em comparação com 27% dos millennials e da geração Z globalmente.

“Ao longo dos anos, o estudo global tem mostrado consistentemente que os millennials e a geração Z são direcionados por valores e ações e, agora, eles estão responsabilizando a si próprios e às empresas. Mesmo durante um ano difícil de pandemia (e talvez motivados por ela), eles continuam a pressionar por mudanças sociais positivas. As empresas que compartilham sua visão e os apoiam em seus esforços para criar um futuro melhor ganharão destaque”, declara Marcos Olliver.

O estudo completo pode ser acessado aqui.