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28 de maio de 2026
Em meio à implementação das novas regras da Reforma Tributária, empresas brasileiras passam por um período de reorganização profunda de suas áreas fiscais. É o que mostra a edição 2026 da pesquisa Tax do Amanhã, apresentada durante evento em São Paulo. Feito pela Deloitte e a Thomson Reuters, o levantamento foi realizado com cerca de 150 empresas e evidencia o quanto a tecnologia ganhou centralidade nesse processo, sobretudo para lidar com um ambiente mais complexo durante o período de transição.
Entre 2026 e 2033, as empresas precisarão conviver simultaneamente com dois sistemas tributários, acumulando regras, obrigações e exigências operacionais. Segundo o levantamento, quase 60% das organizações apontam essa coexistência como a principal preocupação para o período de transição.
Na visão de Gustavo Rotta, sócio de consultoria tributária da Deloitte, há volume adicional de normas para acompanhar e interpretar, além da necessidade de planejar como operar com consistência ao longo do tempo. Segundo o executivo, esse cenário eleva o nível de exigência sobre as áreas tributárias das empresas, que passam a demandar maior integração entre sistemas, controle mais rigoroso e capacidade contínua de resposta.
Maturidade em construção
Diante desse quadro, a tecnologia cada vez mais passa a ser incorporada como base da operação. A pesquisa indica que 77% das empresas pretendem ampliar seus investimentos na área em 2026.
Os dados mostram um movimento de evolução, combinando fundamentos operacionais e fomentando novas tecnologias. “Ainda há espaço para as empresas avançarem em plataformas já consolidadas, mas podemos enxergar o apetite por tecnologias mais modernas, baseadas em IA e IA Generativa. Há uma recorrente concorrência por prioridades, com tax compliance (apuração, pagamento e obrigações acessórias), tomando mais da metade do tempo da equipe. Contencioso e fiscalizações tomam outro quarto do tempo e sobra menos tempo para planejar e experimentar”, comentou Rotta.
Outro ponto que chama atenção está na prioridade das empresas na hora de adotar novas tecnologias: a melhora de eficiência e a conformidade regulatória lideram os critérios de adoção, enquanto fatores como ROI e custo de implementação perderam peso em relação a estudos anteriores. “Uma leitura seria de que os gestores tributários e suas equipes indicam estar mais ousados e dispostos a experimentar novas tecnologias. Ainda assim, parece interessante que a relação custo-retorno tenha perdido força”, acrescentou o sócio da Deloitte.
Ao mesmo tempo, a disponibilidade de profissionais qualificados segue como um dos principais pontos de tensão. O estudo indica que 90% das empresas enfrentam dificuldades para contratar, enquanto cresce a demanda por capacitação em tecnologia (67%) e legislação (66%).
“Talvez seja mais importante ter pessoas com conhecimento de tecnologia do que pessoas que têm só o conhecimento tributário”, afirmou Luiz Fernando Rezende, sócio-líder de consultoria tributária da Deloitte. A observação reflete uma mudança de perfil na área, que passa a exigir maior domínio técnico e capacidade de leitura operacional.
O impacto além do fiscal
A pesquisa Tax do Amanhã trouxe ainda dados interessantes sobre a realidade das áreas tributárias dentro das empresas. Segundo o levantamento, organizações com porte abaixo de R$ 500 milhões têm cerca de 10 pessoas na equipe; já em empresas de grande porte, com faturamento acima de R$ 7,5 bilhões, esse número sobe para 41 profissionais. Outro dado que chama atenção é o fato de que 63% das organizações tocam o dia a dia da área tributária sozinhas, sem terceirizar tarefas.
“O Brasil tem um nível de maturidade menor com respeito à terceirização das atividades tributárias. Isso acontece porque, no Brasil, o elemento fiscal é mais estratégico do que no resto do mundo”, disse Rezende. Em sua visão, as mudanças trazidas pela Reforma Tributária – como o imposto “fora do preço” e a cobrança no destino, não na origem – podem mudar esse cenário.
Os efeitos da reforma também se estendem para além da área fiscal. “A reforma tributária não mexe só no imposto. Ela impacta preço, margem e cadeia de suprimentos”, afirmou Rezende.
Ao reunir esses elementos, os dados indicam que a principal transformação em curso está na forma como as empresas organizam sua operação tributária. O ambiente mais digital, integrado e fiscalizado exige dados consistentes, processos estruturados e sistemas capazes de operar em escala. “Não estamos diante só de uma reforma tributária, mas de uma reforma totalmente digital”, ressaltou Edmilson Apolinário, diretor de desenvolvimento de negócios e alianças na Thomson Reuters, também durante o evento. “Não há como atravessar o período de transição sem automatizar. Se cuidar da reforma ainda é um projeto apenas fiscal, certamente a empresa tem um problema.”
Profissional de Tax do Amanhã
Além da divulgação da pesquisa, o evento marcou a entrega do Prêmio Profissional de Tax do Amanhã, que reconhece executivos que vêm se destacando pela liderança, excelência técnica e contribuição para a evolução da área tributária no País.
Entre os usuários de ferramentas Thomson Reuters, o troféu ficou com Patrícia Honório Jerônimo. Na categoria agronegócio, a premiação foi para Cristine Martins de Souza; já Vanessa Nunes Paiva venceu em alimentos e bebidas.
Em bens de consumo, a vencedora foi Juliana Pareles; enquanto Beatriz Pires e Marcelo Geraldelli foram os laureados nas categorias multinacional e empresa nacional, respectivamente. Também foram premiados profissionais de diferentes setores, como Paula Kanaan (indústria), Mariana Brito (varejo), Fabiano Soares (serviços financeiros), Bruno Justo (tecnologia & telecom), Humberto Giraldo (saúde e farmacêutica) e Mariana Coutinho (logística e comércio exterior).