Jornada da Sustentabilidade

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Estadão Blue Studio

Obrigatoriedade das normas IFRS S1 e S2 intensifica a necessidade de adaptação das empresas

Com impactos diretos nos relatórios financeiros de sustentabilidade, novas exigências regulatórias colocam a necessidade de apoio técnico no centro da agenda corporativa

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30 de abril de 2026

A obrigatoriedade das normas IFRS S1 e IFRS S2, que passam a orientar a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, marca uma nova etapa para empresas com registro de companhia aberta e bancos de grande porte no Brasil. Com as novas normas regulatórias, as empresas terão de integrar riscos socioambientais e climáticos à lógica de negócio, com impacto direto em governança, estratégia, gerenciamento de riscos e potencial impacto nos resultados.

O tema foi discutido em evento promovido em abril de 2026 pela Motiva, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil, que reuniu executivos e especialistas em sua sede, em São Paulo, para debater os desafios da implementação e como empresas especializadas podem contribuir para a organização dos processos e a integração entre sustentabilidade e desempenho financeiro.

Nova exigência

Diferentemente dos modelos anteriores de relato, as normas IFRS S1 e S2 exigem que as empresas traduzam temas como sustentabilidade e clima em impactos financeiros mensuráveis. Isso inclui riscos, oportunidades, investimentos e projeções que possam afetar o desempenho da companhia no curto, médio e longo prazo.

Na prática, a mudança impõe uma revisão estrutural, na medida em que busca incorporar a sustentabilidade no processo de tomada de decisão ao dar maior transparência aos riscos e oportunidades associadas ao tema. O desafio é ampliado pelo elevado nível de rigor exigido, que demanda rastreabilidade, fortalecimento de controles internos e, a partir da divulgação das informações relativas ao exercício fiscal de 2026, a obtenção de asseguração razoável sobre as informações a ser divulgadas no relatório financeiro de sustentabilidade.

“Mais do que um novo modelo de divulgação de sustentabilidade, as normas da fundação IFRS ampliam a responsabilidade das empresas sobre a qualidade da informação que chega ao mercado de capitais, contribuindo para a redução da assimetria informacional para uma avaliação mais adequada dos riscos pelos investidores. A integração entre informações de sustentabilidade e desempenho financeiro impõe critérios técnicos rigorosos e reforça o papel da governança e dos controles internos na credibilidade dessas divulgações”, afirma Reinaldo Oliari, sócio de Assurance da Deloitte

Apoio técnico

Nesse cenário, cresce a relevância de empresas como a Deloitte, organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado. Segundo a diretora de Sustentabilidade da Motiva, Juliana Maria da Silva, o suporte técnico tem sido decisivo para viabilizar a transição. “A Deloitte nos apoia nessa mudança de abordagem. Não é só uma adequação regulatória, mas uma transformação de processos”, afirma.

Entre as principais frentes de atuação, estão a estruturação de metodologias, o desenho de controles internos e a orientação sobre boas práticas. Um dos pontos mais sensíveis é a capacidade de rastrear investimentos e custos ligados à sustentabilidade e conectá-los ao desempenho financeiro da companhia.

Esse trabalho envolve desde a organização de dados até a definição de critérios para a identificação e a quantificação de riscos e oportunidades em um horizonte de curto a longo prazo, etapa considerada uma das mais complexas pelas empresas.

Caso prático

A experiência da Motiva na elaboração do seu relatório anual ilustra esse processo. A companhia foi pioneira em seu setor de atuação e publicou um relatório de transição preparado com base nas diretrizes das normas internacionais IFRS S1 e S2, como parte do processo de antecipação à adaptação obrigatória prevista para a publicação a partir de 2027. O documento marca a migração de um modelo tradicional de relato para uma estrutura baseada em materialidade financeira, com foco em riscos climáticos e seus impactos sobre o negócio.

“A elaboração do relatório da Motiva exigiu uma mudança importante na forma de analisar riscos climáticos e socioambientais. O trabalho demandou a definição de premissas técnicas, critérios de mensuração e a conexão desses temas com a estratégia e a dinâmica financeira do negócio”, afirma Daniele Soares, gerente sênior de Assurance da Deloitte.

Entre os avanços, estão a incorporação de cenários climáticos na análise estratégica e a definição de ações concretas de adaptação para as operações de rodovias, trilhos e aeroportos da Motiva. De forma inédita no setor de infraestrutura de mobilidade no Brasil, a companhia estruturou cerca de 5 mil iniciativas para aumentar a resiliência de seus ativos, priorizadas a partir de critérios financeiros, riscos operacionais e impactos ambientais.

“No evento, falamos sobre como a sustentabilidade já exerce um papel central na estratégia de negócios da Motiva, influenciando os nossos planos de expansão, a forma como operamos os nossos ativos e a criação de valor para os nossos acionistas. Temos como objetivo consolidar a liderança sustentável da companhia em nosso setor de atuação, e a elaboração deste relatório de transição para a adoção das IFRS S1 e S2 fortalece esse movimento e é mais um passo para que possamos construir a mobilidade do futuro com menor pegada de carbono, respeito ao meio ambiente e preservando vidas”, afirma Juliana.

Mudança interna

A adequação às normas internacionais também exige transformação organizacional. Áreas como sustentabilidade, finanças, riscos e controladoria passam a atuar de forma integrada, com participação direta da alta liderança. “É um processo multidisciplinar. Envolve desde a operação até o conselho de administração”, afirma Juliana.

Apesar da obrigatoriedade, o mercado ainda está em fase de adaptação. Companhias, auditores independentes e consultorias avançam simultaneamente na construção de metodologias e na interpretação das normas. “Todos estão aprendendo. É um processo novo para as empresas e também para quem presta consultoria e asseguração”, diz Juliana.

Pressão crescente

A expectativa é de que a adoção das normas internacionais eleve o padrão de transparência e fortaleça a confiança dos investidores e demais provedores de capital. Ao exigir a conexão entre sustentabilidade e desempenho financeiro, o modelo reduz a margem para relatórios genéricos e mais voltados para marketing institucional e amplia a comparabilidade entre as organizações.

Para as companhias, o desafio vai além do cumprimento das normas. Trata-se de estruturar uma nova forma de pensar o negócio, em que riscos climáticos, resiliência e alocação de capital passam a ocupar o mesmo nível das decisões financeiras tradicionais.

“Esse processo tende a acelerar a maturidade das empresas e a trazer mais robustez para a forma como a sustentabilidade é incorporada às decisões, com um olhar cada vez mais conectado ao desempenho financeiro”, conclui Juliana.

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