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Estadão Blue Studio

Empresas estão otimistas com temas ambientais, mas ações efetivas ainda precisam de espaço

A diminuição desse descompasso e as iniciativas reais de descarbonização devem ser preocupação estratégica dos CEOs

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18 de abril de 2023

O investimento em práticas ambientalmente sustentáveis vem ganhando força entre os executivos brasileiros – e a grande maioria (oito em cada dez) acredita que essa medida resultará em benefícios econômicos de longo prazo para as organizações.

Ao mesmo tempo que existe essa preocupação com as questões ambientais, menos da metade desses profissionais (48%) considera ter havido investimentos suficientes em tecnologias que incentivem a redução das emissões de gases causadores de efeito estufa.

Essas e outras conclusões trazidas pela pesquisa Climate Check 2022, feita pela Deloitte, organização com o portfólio de serviços mais diversificado do mundo, foram discutidas em uma transmissão feita pela TV Estadão, da qual participaram Anselmo Bonservizzi, sócio-líder de Risk Advisory da Deloitte, e Eduardo Aranibar, CEO da AYA Earth Partners. Você pode assistir à íntegra do debate clicando aqui: https://bit.ly/3mIMcOR

Para Bonservizzi, os principais pontos que envolvem o futuro ambiental das corporações são: fazer a transição verde de uma forma efetiva, sem o chamado “greenwashing” (a adoção de pautas vazias a respeito do assunto, apenas para divulgação ao mercado); perseguir a sustentabilidade e incorporá-la ao dia a dia do negócio e de seus produtos; e lidar com esses temas de modo que ganhem relevância com clientes e consumidores, mantendo a vantagem competitiva sem abrir mão do crescimento.

“Existe um otimismo muito grande entre 82% dos executivos, mesmo índice obtido em 2021 – e 74% concordam que suas organizações podem continuar a crescer na medida em que reduzem suas emissões de carbono. Além do engajamento, as empresas entendem que isso realmente pode fazer parte da estratégia do negócio”, afirmou o executivo.

Para ele, muitas organizações já embarcaram numa primeira onda de mudanças, que é mais visível para o consumidor. Ela envolve transformar os produtos de forma ambientalmente mais responsável e amigável, realizando modificações em embalagens, trocando levemente a matriz energética, etc.

“Mas as transformações estruturais exigem tempo e estratégias muito maiores. São essas que realmente vão trazer as alterações que a gente precisa, mas apenas 36% pretendem acelerar esses esforços por sustentabilidade, enquanto 62% ainda esperam alguma iniciativa a mais do governo”, explicou. “Conclusão: a boa vontade existe, mas as empresas ainda precisam discutir um pouco mais estes assuntos.”

Aranibar, da AYA Earth Partners, comentou que as empresas se mostram muito preocupadas com a questão da descarbonização da economia. No entanto, é indiscutível que ainda há muito a fazer. “Você tem um otimismo muito grande dos executivos de que o crescimento é possível com um desenvolvimento sustentável, mas, quando você vai detalhando as ações, o cenário vai ficando um pouco menos positivo”, disse. “Um dos principais desafios é garantir que isso entre na pauta da liderança, que isso seja um ponto estratégico na visão da empresa e não uma área subsidiária ou secundária.” Se isso não acontecer, avaliou ele, veremos o aumento do descompasso entre o otimismo e as ações efetivas.

O executivo destacou que as ações são complexas e que na área industrial existe sim um investimento, bem como um planejamento que envolve setores como engenharia, produção, área financeira, etc. “Colocar isso na pauta do CEO a curto prazo é mais do que necessário.”

Efeitos da mudança climática

Segundo a pesquisa da Deloitte, questões relacionadas à produção e à oferta de produtos são cada vez mais notadas no dia a dia dos negócios, como pontos ligados aos efeitos das mudanças globais no clima.

Cerca de 30% dos entrevistados afirmam que suas organizações estão começando a sentir influências em suas operações causadas pelos desastres relacionados ao clima. Mais de 1/4 delas está enfrentando a escassez de recursos devido à crise climática.

Os executivos listaram ainda outros pontos que já influem ou ameaçam influir nas organizações, como as incertezas políticas e regulatórias (26%), o aumento nos custos com seguros ou falta de disponibilidade de seguros (24%) e danos à reputação (17%).

A necessidade de comunicar as iniciativas ambientais passa, de acordo com Bonservizzi, por evitar a ansiedade para não divulgar dados vazios ao mercado. “Tirando esse aspecto, temos que refletir sobre as boas iniciativas de como fazer isso. Para medir esses impactos reais, temos que aprimorar a coleta de dados, o que exige preparação das empresas. E o mercado deve saber que essas métricas estão em momento de evolução, para que lá na frente possamos comparar ações inclusive entre empresas, saber o quanto cada uma está fazendo.”

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