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América do Sul precisa de ‘ponto de virada’ contra mudança climática

Região pode se tornar uma das áreas mais prejudicadas do planeta; no entanto, a descarbonização transformaria esse cenário fortalecendo a economia dos países sul-americanos, segundo estudo da Deloitte

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23 de novembro de 2022

Se governos, empresas e ONGs não agirem desde já, com planejamento minucioso e ações incisivas, o mundo sofrerá fortemente os impactos das mudanças climáticas provocadas pelo aumento das emissões de carbono e, consequentemente, da temperatura global.

Segundo projeções feitas pela Deloitte no estudo “The turning point: um novo clima econômico na América do Sul”, a região deve ser uma das mais afetadas do planeta. “Se considerarmos um aumento de 3°C na temperatura até 2070, um total de US$ 17 trilhões seriam subtraídos da economia da América do Sul, causando perdas substanciais para indústrias, empresas e trabalhadores, eliminando 18 milhões de empregos”, explica o sócio-líder de ESG e Risk Advisory da Deloitte, Anselmo Bonservizzi. “A mudança climática também romperá cadeias de suprimentos, testará instituições e provocará alterações profundas na sociedade”, aponta o executivo.

Para reverter essa perspectiva, é preciso buscar um ponto de virada coletivo, com a compreensão de que o controle do clima em um futuro “carbono zero” beneficiará as economias e fortalecerá os países. O estudo da Deloitte aponta que essa mudança resultaria em benefício líquido equivalente ao crescimento de 1% do PIB em 2070 (ou US$ 150 bilhões). A partir desse ano, as economias veriam uma tendência de expansão anual, com a geração de milhões de empregos.

Como fazer a transição?

Os investimentos dessa transformação para uma região como a América do Sul são altos, mas, quanto antes as ações assertivas de descarbonização forem implementadas, mais fácil será a transição. “Os países e seus setores econômicos terão ganhos visíveis, que serão traduzidos em custos evitados, além de novas oportunidades para indústrias e tecnologias”, destaca Anselmo Bonservizzi. “Essa é a premissa que precisa ser adotada a partir de agora.”

Um dos exemplos mais imediatos obtidos com essa mudança de visão seria o crescimento de setores como o de energias limpas e renováveis, trazendo oportunidades de formação e novas possibilidades de trabalho para especialistas que já atuam em indústrias que dependem de combustíveis fósseis. Outras vagas poderiam surgir na mineração, com o aumento na procura por metais como lítio e cobre, essenciais para a eletrificação das fontes de energia.

O relatório da Deloitte mostra que, até 2045, a América do Sul pode atingir um marco importante, caso consiga alcançar quase 90% de descarbonização na região. “Esse marco significará que os países terão evitado o ‘aprisionamento’ de seu futuro pelo aquecimento global”, afirma Bonservizzi. A partir daí, os custos da mudança e da transição dos modelos tenderão a cair, ao mesmo tempo que devem crescer os processos avançados de produção limpa e as ofertas de serviços aderentes às baixas emissões.

Se seguirmos esse caminho, o ponto de virada ocorreria em torno da década de 2060, quando os ganhos econômicos da descarbonização ficariam maiores que os custos.

O estudo da Deloitte sugere diversas alternativas para a transição, entre elas a adaptação dos principais setores de exportação, conforme o mundo se afasta dos combustíveis fósseis. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento para implantar as tecnologias capazes de promover reduções depois de 2030 também teriam de ser praticamente imediatos, assim como a adoção de leis específicas a respeito de metas e compromissos.

Outros pontos envolveriam a transformação dos modelos de geração de eletricidade em direção a novas tecnologias, como a consolidação de modais hidroelétricos, energia solar e de incentivo aos biocombustíveis; a fiscalização mais rígida contra práticas de desmatamento e a aceleração de reflorestamento nas áreas degradadas, acompanhadas de mudanças mais assertivas na matriz energética nas décadas posteriores.

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