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Impactos globais da crise demandam atenção das empresas à cadeia de suprimentos

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28 de maio de 2020

Entre as ações a serem adotadas imediatamente pelas empresas que planejam atravessar o período de pandemia com a menor influência possível em seus negócios, dispensar atenção especial à cadeia de suprimentos, com transparência e responsabilidade, possui papel central para a reestruturação das operações.

A crise da Covid-19 não afetou apenas um setor de negócio ou uma região do mundo. O problema é global e estendeu seus tentáculos para os setores público e privado, com reflexos humanitários, sociais, econômicos e culturais. “Quanto mais a empresa entender os impactos causados em seus parceiros – fornecedores, clientes, estoques, redes de logística e transporte e outros pontos da cadeia –, mais fácil ficará identificar as dores alheias e levar essas dificuldades e particularidades em conta no planejamento do futuro, que não pode esperar. Quem começar a dar essa resposta à crise antes terá muito mais chances de se recuperar”, diz Celso Kassab, sócio de Consultoria Empresarial da Deloitte.

Provavelmente, as empresas terão que realizar renegociações ou reformulações de diversos aspectos do negócio (financeiros, prazos de recebimento e pagamentos, linhas de produtos e serviços, recursos humanos, junto de clientes, fornecedores etc). Portanto, a abordagem deverá ser holística, analisando todos os pontos da cadeia, sem exceções.

Readequações

De acordo com estudo feito pela Deloitte, as empresas precisarão redefinir sua cadeia de suprimentos local, regional e global e elaborar estratégias claras de gerenciamento de riscos, porque a crise da Covid-19 causará impactos macroeconômicos, fora do controle da organização. Eles afetarão toda a cadeia. Além disso, riscos externos e internos devem ser analisados.

“Deve-se identificar as rupturas já existentes e potenciais riscos futuros para fazer as readequações necessárias – por exemplo, mapeando quais são as matérias-primas, embalagens, materiais e serviços essenciais para a continuidade da manufatura dos produtos críticos para o negócio”, analisa Kassab.

O trato com os fornecedores deve ser feito com responsabilidade e cautela, entendendo os prejuízos destes e formalizando um plano de ação conjunto, contemplando pontos como otimização de cargas, estabelecimento de planos de produção integrados, gestão colaborativa de capacidades etc.

A identificação de qual parceiro está mais exposto à crise deve ser clara, considerando a possibilidade da realização de aportes financeiros ou adiantamento para manter a normalidade nas operações, bem como as ações de renegociação de prazos de pagamento e o planejamento logístico de toda a relação de fornecimento.

Também é fundamental que a empresa olhe para dentro, definindo como otimizar os ativos e recursos disponíveis dentro do próprio grupo econômico. Por exemplo: veículos para transporte de produtos, capacidades produtivas, capital de giro e realocação temporária de especialistas para melhor gestão desses temas.

“Avalie a ocorrência e o potencial de oscilações muito grandes de demanda e de oferta de suprimentos, desenvolva estratégias para minimizar riscos e volatilidades e reavalie o plano de inovações para identificar a possibilidade de antecipar o lançamento de novos produtos com menor complexidade produtiva e que favoreçam a sociedade neste momento de crise”, conclui o especialista da Deloitte.

Ações imediatas da cadeia de suprimentos

1 Definir estratégia de segmentação de atendimento da operação interna, revendo estratégia de curto prazo e sincronizando a demanda-oferta

2 Concentrar foco em volume ao invés de variação na produção

3 Reforçar protocolos de triagem, colaboradores, fornecedores e materiais

4 Preparar-se para aumento na taxa de absentismo

5 Alinhar sistemas de TI e suporte a evolução das necessidades de trabalho

6 Preparar planos de sucessão para posições de executivo-chave

7 Concentrar-se no fluxo de caixa

8 Buscar diferenciação e alternativas: canal de venda, distribuição, last mile, atendimento do cliente

9 Concentrar-se no risco de fornecedores nível 1

10 Atualizar política de inventário e parâmetros de planejamento

11 Ampliar a transparência e colaboração com os parceiros

 

 

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