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Estadão Blue Studio

Desafios para implementar estratégias de sustentabilidade que valorizem os negócios

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26 de novembro de 2019

Estratégias de sustentabilidade são poderosas para gerar valor a negócios de todos os portes – atraindo consumidores, alavancando o valor de mercado da empresa e marcando posição de vanguarda por parte da empresa frente aos clientes, concorrentes e à comunidade em geral. Porém, para que funcionem corretamente, essas iniciativas devem ser bem planejadas, alinhadas ao propósito da organização e integradas por colaboradores de todas as áreas.

Endereçar corretamente tais desafios no ambiente corporativo nem sempre é uma tarefa fácil, especialmente nas empresas brasileiras. Em outras partes do mundo, como Europa e Estados Unidos, a sociedade e o público consumidor mais maduros já fizeram as empresas investirem em práticas responsáveis com mais vigor. O mercado também passou por mudanças por influência das novas gerações de consumidores, que vêm usando mais tecnologia e consumindo mais produtos e serviços de marcas consideradas responsáveis tanto social quanto ambientalmente.

A análise é do gerente de sustentabilidade da Deloitte, Eduardo Galeskas. Para ele, as empresas devem endereçar uma série de preocupações para que o tema não fique isolado dentro de cada organização.

“O fato de investir nessas práticas valoriza a empresa, trazendo maiores retornos, mais aceitação pelas novas gerações e mais perpetuidade”, segundo Galeskas. Trata-se de um verdadeiro investimento – com a possibilidade de as empresas capitalizarem suas iniciativas de responsabilidade social, ganhando mais visibilidade com clientes e consumidores.

Há alguns desafios para que o processo seja bem-sucedido. O principal deles é convencer a alta direção da importância de a empresa ser e se mostrar sustentável. “Uma das grandes dificuldades é a empresa conseguir aplicar essa estratégia de maneira transversal, em todas as áreas da organização”, afirma Galeskas.

“Muitas vezes, as organizações têm uma área de sustentabilidade, mas ela não é vista como prioritária”, aponta. Além disso, o lucro não pode ser a única preocupação – as organizações têm a capacidade de gerar impactos positivos significativos à sociedade e às comunidades nas quais estão inseridas.

Nesse contexto, evidenciar o valor da sustentabilidade na cadeia de negócios é uma dificuldade. A situação é um pouco melhor entre as empresas de capital aberto, que necessitam prestar contas sobre o tema para investidores e, por vezes, até figurar em índices de sustentabilidade em bolsas.

Segundo o gerente da Deloitte, outra dificuldade é a falta de clareza nas ações e projetos. “Algumas das empresas possuem áreas de sustentabilidade, mas elas não têm uma estratégia definida. Na prática, a área atende a demandas específicas para responder a exigências do mercado, mas não vai além disso, é uma área de apoio. Uma estratégia clara permite aprofundar o assunto e identificar o que precisa ser feito para gerar mais valor ao negócio”, explica.

Outros pontos que dificultam o desenvolvimento da sustentabilidade nas organizações são: enxergar o tema apenas como uma questão ambiental – um erro muito comum, pois muitas empresas se dizem “sustentáveis” apenas por cumprir legislações de meio ambiente – e a falta de recursos. “Em tempos de crise, o orçamento destinado à sustentabilidade sofre cortes, principalmente em empresas nas quais essa área é menos robusta”, aponta Galeskas.

Apesar dessas dificuldades, alguns fatores favorecem a criação de um cenário positivo para a sustentabilidade – entre eles a chegada de jovens profissionais com uma consciência multidisciplinar, alinhados ao novo comportamento do consumidor e o surgimento de novas tecnologias.

As empresas que conseguirem integrar as iniciativas de sustentabilidade em seus negócios, de forma alinhada ao propósito da organização, conseguirão gerar impactos positivos não apenas internamente, como também para a sociedade, além de impulsionar a geração de valor.

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