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Estadão Blue Studio

Futuro do compliance tributário: quais as tendências para o Brasil?

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7 de maio de 2019

O ambiente de negócios passa por grandes transformações e os diferentes setores vêm se adaptando a essas mudanças e promovendo seus próprios ajustes, para se manterem competitivos. No caso da área tributária, o cumprimento das obrigações fiscais no Brasil exige uma visão integrada dos fluxos tributários, uma abordagem customizada à realidade da empresa, tecnologias de ponta e gerenciamento dos processos de negócios.

“No Brasil, a área de Tax é digital há muito tempo, em função da estrutura do Fisco.”, define João Gumiero, sócio-líder da área de Consultoria Tributária da Deloitte. Fazendo referência à sigla VUCA*, que as transformações atuais, Gumiero destaca que o grande desafio é planejar e estruturar os negócios diante dessas características, principalmente no ambiente de incertezas.

Luiz Fernando Rezende, sócio da área de Consultoria Tributária da Deloitte, explica que o termo Tax, especialmente no Brasil, engloba as áreas contábil, financeira e tributária. “Não é possível separar uma da outra. A legislação no Brasil é bastante complexa, portanto a área fiscal deve estar integrada às atividades da empresa, atuando inclusive na prevenção de riscos. Um problema da área fiscal pode apontar, por exemplo, alguma deficiência de governança”, explica Rezende.

A gestão tributária envolve seis questões básicas que as empresas devem observar:

  • Pessoas;
  • Processos;
  • Legislação;
  • Tecnologia da Informação;
  • Infraestrutura física;
  • Comunicação.

No Brasil, há ainda o desafio dos altos impostos cobrados, frente a outros países. O faturamento pode ser o mesmo do que o obtido por uma empresa na Suíça, por exemplo, mas o valor pago de impostos aqui é bem maior.

Tax e as forças de mudança

Diversos fatores justificam o momento de transformação do setor. O primeiro deles é o aumento do uso da tecnologia, que criam uma oportunidade para redesenhar a área de Tax. As expectativas de um mercado de capitais cada vez mais global, e de maior transparência por parte dos governos, impulsionam iniciativas de cooperação entre agências reguladoras e tributárias, desenhando um novo ambiente regulatório. Por outro lado, esse ambiente global demanda a adoção de estratégias mais abrangentes no que diz respeito a planejamento tributário, gerenciamento de risco, compliance e reporting.

Considerando as tendências apontadas, há cinco principais áreas de avanço tecnológico que impactarão significativamente a atividade de Tax no futuro:

  1. Dados: alta disponibilidade de dados, performance de processamento substancialmente aprimorada e capacidade de memória “ilimitada”.
  2. Automação: aplicação de robótica e automação de processos (RPA) e integração entre sistemas financeiros e outros sistemas.
  3. Processo de decisão: Inteligência artificial ampliando as habilidades de compliance e advisory.
  4. Democratização do conhecimento: informação e conhecimento disponíveis e com fácil acesso.
  5. Open networks: fontes de talento, ecossistemas de compartilhamento e orientações para solução de problemas.

Benefícios de uma visão integrada de Tax

  • Maior eficiência para identificar melhorias e lacunas no processo de cálculo dos tributos.
  • Identificação de riscos fiscais que serão endereçados por meio do gerenciamento das informações.
  • Antecipação de eventuais inconsistências entre arquivos gerados e reportados ao Fisco.
  • Compartilhamento das melhores práticas para a preparação das novas obrigações fiscais.
  • Otimização dos recursos necessários para a implementação de sistemas fiscais.
  • Potencial redução de investimento na área de tecnologia necessário para a implementação e gerenciamento dos aspectos tributários.

(*) O termo V.U.C.A. hoje é utilizado para traduzir as condições do mundo dos negócios e fatores que influenciam a gestão nas empresas. Inclui:  volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity).
V – Volatility (volatilidade): momento demanda adaptações rápidas e precisas, com planejamento sendo ajustado às mudanças de cenário.
U – Uncertainty (incerteza): ter pessoas com habilidades e opiniões realmente diversas faz a diferença. Outras vivências podem trazer outra forma de lidar com determinados problemas.
C – Complexity (complexidade): um mundo mais complexo requer soluções mais simples.
A – Ambiguity (ambiguidade): muitas vezes, não há uma resposta certa para os diversos questionamentos, pois tudo é ambíguo. O que importa é que a decisão tomada faça sentido para a situação e traga eficiência.

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