Como o próprio nome diz, os prematuros nascem com o sistema imunológico ainda imaturo, o que os torna mais vulneráveis a infecções. Como passaram menos tempo no ventre materno, eles deixam de receber uma parte dos anticorpos da mãe. Por isso, bebês que chegam ao mundo de uma gestação incompleta exigem cuidados especiais. A prevenção de doenças infectocontagiosas por meio da vacinação é estratégia fundamental para a saúde para todas as crianças – e não poderia ser diferente para aquelas que nascem mais cedo que o previsto. “Os prematuros apresentam mais quadros infecciosos e têm uma frequência maior de internação no primeiro ano de vida, principalmente relacionada a problemas respiratórios”, diz a pediatra Ana Lúcia Goulart, coordenadora do Ambulatório de Prematuros da disciplina de Pediatria Neonatal da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

Por insegurança e receios, muitas vezes a família hesita em seguir o calendário de vacinação depois da alta dos prematuros. Um estudo feito na Universidade de Washington e publicado no Journal of The American Academy of Pediatrics constatou que mais da metade desses pequenos não haviam recebido os complementos dos imunizantes recomendados quando completaram 19 meses de idade.

 

“Na vacinação desse grupo, a orientação é seguir a idade cronológica”, esclarece Ana Lúcia Goulart. “Quando a situação pede, são feitos alguns ajustes. Um deles é não administrar a vacina BCG, contra tuberculose, nas crianças com menos de 2 quilos”, exemplifica a pediatra. No caso da hepatite B, o bebê prematuro deve receber a primeira dose 12 horas depois de nascer, independentemente do peso. Mas aí ela volta a ser aplicada quando ele chegar aos 2 quilos, o que significa uma dose a mais do que as três de praxe.

 

Ao atingir a idade adequada, mesmo que ainda esteja hospitalizada, a criança começa a receber, na própria unidade neonatal, a vacinação indicada pelo Programa Nacional de Imunizações. Após a alta, o calendário tem continuidade, e é possível buscar orientação sobre as doses nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries), integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS) e criados em 2009 para atender a população com necessidades específicas de imunização. Nos Cries, a partir dos 2 meses de idade, o bebê prematuro extremo (nascido com peso menor que 1 quilo ou menos de 31 semanas de gestação) tem acesso à vacina adsorvida contra difteria, tétano e coqueluche acelular (DTPa), que não utiliza a célula inteira da bactéria da coqueluche e, por isso, reduz o risco de eventos adversos. Nas doses seguintes, são administradas a DTPa combinada com a Haemophilus influenzae b (Hib), a hepatite B recombinante (HB) e a poliomielite inativada (VIP).

 

No dia 17 de novembro, este assunto será debatido por especialistas no evento online Diálogos Estadão Think – Vacinação e os Cuidados Especiais com Prematuros, das 9h às 10h30, que pode ser acompanhado gratuitamente nas mídias sociais do Estadão. Acompanhe e participe.

 

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