Música

30 de novembro de 2018

A música clássica brasileira e sua inesgotável fonte de talentos

Possibilitar a busca por um “lugar ao sol” a jovens músicos da cena erudita e lírica internacional é tarefa das mais árduas, sobretudo no Brasil, onde ainda se luta para consolidar o papel da arte como elemento transformador social.

Felizmente, nossas reservas de talento parecem inesgotáveis. E a atuação decisiva de algumas instituições culturais segue contribuindo para que este caminho continue aberto.

Comprometido desde a sua fundação, em 1981, com a busca e formação de novos talentos, o Mozarteum Brasileiro tem contribuído para que muitos deles possam aprimorar suas habilidades. As oportunidades incluem experiências com artistas consagrados – em apresentações gratuitas, masterclasses e ensaios abertos – e bolsas de estudo em instituições parceiras da Europa.

Edições recentes do festival Música em Trancoso e da academia Canto em Trancoso, no distrito baiano, além dos concertos Noite das Estrelas realizados pela primeira vez em 2018, na Sala São Paulo, têm reunido alguns desses prodígios. Em todas essas ocasiões brilha também a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro (OAMB), que, em seu terceiro ano de atividades, consolidou admirável evolução e reconhecimento, sob a batuta do maestro Carlos Moreno.

A maioria dos músicos da OAMB ainda está na casa dos 20 anos, o que sugere amplas perspectivas de desenvolvimento artístico e pessoal e, quem sabe, a chance de trilhar alguns dos caminhos percorridos por seus antecessores.

Conheça alguns dos artistas revelados pelos programas do Mozarteum que têm tudo para seguir se destacando em 2019.

Bruno de Sá – O jovem sopranista (ao alto) de Santo André (SP) venceu este ano o concurso internacional Spirus Argiris 2018, na Itália. Destaca-se pela habilidade de cantar na tessitura musical de uma soprano. É um timbre vocal raríssimo. Também por seu talento e pela beleza da voz, Bruno vem chamando muita atenção na Europa.

Camila Rabelo – Paulista de Aparecida (SP), a soprano (à esq.) tem atraído a atenção da crítica pelo desempenho em papéis como o de Micaela, na ópera Carmen, de Georges Bizet, recentemente encenada no Teatro Bradesco, em São Paulo. Sua porta de entrada na Europa foi a academia Canto em Trancoso de 2015.

Thiago Teixeira – O baixo-barítono campineiro mostrou toda sua técnica e desenvoltura no festival Canto em Trancoso deste ano e foi selecionado como bolsista para a Chorakademie Lübeck, na Alemanha, em 2019.

Eduardo Frigatti – Ex-aluno do polonês Krzysztof Penderecki na Academia de Cracóvia, também como bolsista do Mozarteum Brasileiro, Frigatti já compôs para formações importantes como o Quarteto Edino Krieger e recentemente viu sua Aquarela Trancoso estrear na Sala São Paulo, na Noite das Estrelas. Já compôs cerca de 50 obras e realiza doutorado em música na Universidade de São Paulo (2018).

Havilá Porto – A paranaense (à dir.) também foi selecionada para uma bolsa de estudos em solo alemão no ano que vem. Ela demonstrou todo seu potencial em uma performance arrebatadora para O Messias, de Georg Handel, durante a academia Canto em Trancoso.

Pelos palcos do mundo

Com um pouco mais de experiência, alguns artistas vêm “demarcando” território no cenário internacional e também podem servir como referência para os que ainda trilham as etapas iniciais desde desafio.

São os casos, por exemplo, de Sérgio Rodrigo, compositor de 33 anos, natural de Diamantina (MG), aprovado na tradicionalíssima Academia Santa Cecília, na Itália – outro feito inédito entre nossos músicos – e do pianista Cristian Budu, 28 anos, primeiro brasileiro a vencer o Concurso Internacional Clara Haskil, na Suíça, em 2013. Seu álbum de estreia, dedicado à obra de Ludwig van Beethoven, foi elogiado pela revista Gramophone.

Em Paris, a soprano paulistana Camila Titinger, 28, recentemente alcançou o terceiro lugar no concurso de cantores do Théâtre des Champs-Elysées. Acumula ainda apresentações elogiadas no Festival de Bregenz (Áustria), na Ópera de Toulon (França) e também como solista ao lado da Sinfônica de Viena e do tenor Plácido Domingo.

Yuri de Azevedo, 26, ex-aluno da Haute Ecole de Musique de Genebra (Suíça), por sua vez, traz entre seus feitos recentes passagens pelos pódios da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, da Orquestra Jovem da União Europeia e da Sinfônica de Miami.

Para encerrar, vale lembrar a trajetória do catarinense Pablo Rossi, 29. Talento precoce, foi visto em muitos palcos brasileiros ainda na infância. Gravou seu primeiro CD aos 11 anos e hoje é mestre em piano pelo Conservatório Tchaikovsky, de Moscou, com movimentada agenda de apresentações como solista na Europa, EUA e Extremo Oriente.

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