Cultura

14 de novembro de 2018

Inspiração e empoderamento

A luta pelo reconhecimento e pela igualdade de direitos traz à tona personagens inspiradoras, legítimas precursoras do movimento pelo empoderamento feminino na Europa. Conheça algumas delas e suas obras:

Hildegard von Bingen (1098–1179)  

Uma mulher que efetivamente rompeu as barreiras do preconceito. Além de compositora, foi monja beneditina, teóloga, naturalista, médica informal e dramaturga. Figura singular e importante na Alemanha do século XII, expressou sua arte em obras pioneiras, como o auto sacro Ordo Virtutum (“A Ordem das Virtudes”).

Ouça: Symphonia Armonie Celestium Revelationum  

 

Barbara Strozzi (1619–1677)

O sistema de dotes da antiga Veneza fez com que muitas mulheres nascidas de forma “ilegítima” se tornassem cortesãs. Filha adotiva de um poeta libertino da época (Giulio Strozzi), Barbara não teve escolha, porém nunca deixou de dedicar-se à música, sua grande paixão. Seus madrigais e cantatas solo marcaram o período barroco pela amplitude, expressividade e virtuosismo.

Ouça: Che Si Puo Fare

 

Francesca Caccini (1587–1641)
Governantes da Toscana entre 1621 e 1628, as arquiduquesas Maria Maddalena de Medici e Christine de Lorena promoveram diversas artistas. Entre elas Francesca, cantora, compositora e musicista mais bem paga da província – naquela época, uma conquista profissional e tanto. Reconhecida como a primeira mulher a compor uma ópera, fez da sabedoria e das virtudes femininas fontes de inspiração.

Ouça: Lasciatemi Qui Solo

 

Élisabeth Jacquet de La Guerre (1665–1729)

A francesa começou cedo, como cravista e cantora na corte real de Luís XIV. Mas abriu mão da aparente posição vitalícia para se casar com o organista Marin de la Guerre, seguindo carreira independente como professora e compositora. Seus concertos em Paris se tornaram concorridos, bem como suas cantatas sagradas, celebradas ao longo do período Barroco. 

Ouça: Sonata n°2 em Ré maior para violino

 

Louise Farrenc (1804–1875)

Também nascida na França, Louise era uma pianista tão talentosa que chegou a ser disputada pelos principais compositores da época. Interpretava e compunha com desenvoltura, mas nunca se conformou em receber menos por seus trabalhos do que seus colegas homens. Lutou contra essa desigualdade aberta e incansavelmente, inclusive no período em que foi professora no Conservatório de Paris.

Ouça: Quinteto para piano nº1 (Primeiro Movimento) 

 

Fanny Mendelssohn (1805–1847)

Fanny tinha 14 anos quando seu pai foi bem claro: estava na hora de deixar a música de lado e se preparar para tornar-se uma boa esposa e mãe. A recomendação não foi seguida à risca. A alemã compôs quase 500 obras, entre música de câmara e concertos para piano. Ainda assim teve que creditar algumas em nome do irmão mais famoso, Felix, para desviar do preconceito de gênero. A qualidade de sua produção é reconhecida até hoje.

Ouça: Trio para flauta, violoncelo e piano, Op. 45
Clara Schumann (1819–1896)  

Ela foi uma das artistas mais ilustres da Alemanha em sua época, mesmo tendo que interromper a carreira para dez gestações. Manteve intensa colaboração artística com o marido, Robert Schumann, mas ficou viúva precocemente, aos 37 anos. Seguiu ligada à música, no entanto: trabalhou na edição de suas obras, voltou a compor, lecionar e apresentar-se em recitais, completando admiráveis seis décadas de carreira.

Ouça: Noturno em Fá maior Nº 2, Op. 6

 

Cécile Chaminade (1857–1944)  

A prodígio francesa tocou algumas de suas composições para Georges Bizet quando tinha apenas oito anos – e impressionou. Aos 18 deu seu primeiro concerto e ganhou espaço como compositora, escrevendo principalmente para o piano, seu instrumento. Uma frase de seu colega Ambroise Thomas a seu respeito evidencia as barreiras que ficaram pelo caminho: “Cécile não é uma mulher que compõe, mas um compositor que é uma mulher”.

Ouça: Seis Peças Românticas, Op. 55

 

Germaine Tailleferre (1892–1983)
Em uma imagem bastante popular, Tailleferre é a única mulher retratada em meio a um grupo de compositores, incluindo seus conterrâneos franceses Francis Poulenc e Maurice Ravel.  Com sensibilidade e carisma, ignorou o preconceito de gênero, assinando concertos e música para balés em meio às mudanças de estilo que marcaram o século XX. Quando morreu, aos 91 anos, ainda compunha e tocava com frequência.

Ouça: Concertino para harpa e piano.

 

Ethel Smyth (1858–1944) 
A inglesa Ethel Smyth chegou a ser presa por dois meses em 1912, após quebrar uma janela. Quando o maestro Thomas Beecham foi visitá-la na prisão de Holloway, porém, deparou-se com ela regendo um grupo de colegas sufragistas e prisioneiros com sua escova de dente. Feminista fervorosa e ativista incansável pelos direitos das mulheres fez de suas composições verdadeiros hinos pelo empoderamento.

Ouça: The March of the Woman

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