Cultura

01 de outubro de 2018

Investimento corporativo em cultura é um exercício de cidadania empresarial

O investimento na cultura e na educação está diretamente ligado ao desenvolvimento social e à qualidade de vida. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), por exemplo, cita o suporte às indústrias culturais e criativas como “grande impulsionador da economia” no estudo Investing in Culture for Sustainable Development, de 2015.

Ao longo de 37 anos, o Mozarteum Brasileiro também contribui para disseminar este conceito. Premissas como a credibilidade nacional e internacional, a realização de ações pioneiras e a busca por manifestações artísticas de excelência têm se mostrado um diferencial, inclusive na consolidação de parcerias com o setor corporativo.

Alinha-se a este cenário outra tendência importante: a chamada “cidadania empresarial”, hoje considerada uma espécie de força motriz na evolução da sociedade, pela reconhecida influência na sustentabilidade dos negócios. Ela incide na conquista de novos e melhores mercados e também na reputação perante público, clientes e até mesmo concorrentes.

“Cultura é educação e desenvolvimento. São metas que perseguimos desde o começo”, enfatiza Sabine Lovatelli, fundadora e presidente da instituição. Ela compara a programação a um leque de cartas, onde cada uma depende da outra. “Se por um lado um concerto contribui para o fomento e a qualificação das plateias, um projeto socioeducativo, por sua vez, abre portas e cria oportunidades para o talento brasileiro”, completa.

Esta combinação foi determinante, por exemplo, para que a Votorantim decidisse associar sua marca ao Mozarteum Brasileiro desde a sua fundação (como Banco Votorantim a partir de 2007). O objetivo permanece: reforçar o compromisso da instituição financeira em ampliar o contato do público brasileiro com a arte e a cultura. “Estamos muito satisfeitos com o papel social da parceria. É um projeto que investe na formação de novos músicos e promove o acesso à música para crianças”, enfatiza Tiago Soares, gerente de Sustentabilidade do banco.

Desafio anual

A realização da programação do Mozarteum Brasileiro depende de doações e do investimento corporativo que subsidiam as atividades culturais e socioeducativas gratuitas realizadas em São Paulo e Trancoso (BA).

Além das programações de música e dança em São Paulo, o Mozarteum promove masterclasses, concertos gratuitos ao ar livre, como o realizado em 2015 no Parque Ibirapuera, em São Paulo, com a Orquestra Sinfônica Estatal Russa “Evgeny Svetlanov” (foto), matinês para crianças e aulas de iniciação musical em escolas públicas, além de manter a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro (OAMB), destinada a criar oportunidades a jovens músicos brasileiros de apresentar-se com grandes nomes da música internacional. A OAMB foi criada em 2017, sob regência do maestro Carlos Moreno, e já recebeu críticas favoráveis do público e de grandes intérpretes e maestros. No sul da Bahia, realiza anualmente o festival Música em Trancoso (desde 2012) e a academia Canto em Trancoso, que chegou à quarta edição em 2018.

“Somos uma associação sem fins lucrativos, ou seja, o desafio se renova: começamos do zero todos os anos”, comenta Carlo Lovatelli, vice-presidente do Mozarteum. “Definimos os termos das parcerias de modo personalizado, desde eventuais cotas de ingressos e anúncios institucionais até modalidades de exposição da marca.” Para 2019, o Groupe L’Occitane e a Fundação Engie já possuem vínculos firmados.

O investimento corporativo pode ser via verba direta ou por meio de leis de incentivo (a associação possui projetos na Lei Rouanet e ProAC-ICMS).

Talento brasileiro

O mercado tem hoje papel definitivo na sobrevivência de todas as formas de entretenimento. Entidades buscam parceiros identificados com as manifestações artísticas que promovem desenvolvimento, da mesma forma que empresas rastreiam o segmento em busca de opções.

Temporadas e apresentações de música clássica e dança não fogem à regra: mais do que a definição de atrações ou contrapartidas, realizadores e patrocinadores precisam transmitir com clareza ao público valores que os aproximam. No caso do Mozarteum, o destaque, o prestígio e a visibilidade para o talento brasileiro são pontos-chave.

Eles são representados em números expressivos: 8.381 alunos atendidos em masterclasses, 340 jovens contemplados com bolsas de estudo nacionais e europeias.

Os resultados de longo prazo dos investimentos em jovens músicos brasileiros estarão em cena nos concertos Noite das Estrelas, na Sala São Paulo, nos dias 8 e 9 de outubro. No palco, além da OAMB, estarão 11 solistas e um compositor cujas carreiras foram impulsionadas pelo Mozarteum. Será um tributo ao talento brasileiro, em espetáculos que darão visibilidade e reconhecimento a músicos que já são aplaudidos no Brasil e no exterior.

 

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