Cultura

12 de setembro de 2018

O poder da música em outros “reinos”

Animais e plantas podem responder aos estímulos provocados pela música? Muitos estudos e pesquisas garantem que sim. E se o gênero em questão for a música clássica, então, resultados tendem a ser ainda mais conclusivos.

Um dos relatos pioneiros está em “O Som da Música e das Plantas”, publicado pela norte-americana Dorothy Retallack, em 1973. A autora registrou que plantas expostas à música clássica se inclinaram em direção aos alto-falantes, crescendo e florescendo de forma diferenciada.

Segundo ela, ondas sonoras poderiam interferir da mesma forma que a luz, o vento e as condições do solo na vida das plantas. A teoria se ampliou e ganhou novos adeptos nas últimas décadas.

Em 2012, pesquisadores do Instituto Nacional de Biotecnologia e Agricultura da Coreia do Sul, em Suwon, deram ouvidos a um curioso depoimento de camponeses locais. Eles asseguravam que as plantações de arroz cresciam mais viçosas ao som da “Sonata ao Luar”, de Ludwig van Beethoven.

Assim, não só a obra do compositor alemão como outras treze foram testadas em amostras para monitoramento genético de processos biológicos. O resultado, publicado pela revista britânica New Scientist, confirmou que foi possível controlar a produção estimulando ou inibindo o crescimento das plantas de acordo com o conteúdo das sessões sonoras.

Para os especialistas, sons emitidos com frequências de 125hz a 250hz – faixa bem pequena considerando a capacidade do ouvido humano: de 20hz a 20.000hz  –  tornaram alguns genes relacionados ao crescimento mais ativos, enquanto o efeito contrário foi obtido com vibrações sonoras mais baixas, em torno de 50hz. E a grande variação de timbres do repertório sinfônico foi fundamental para a obtenção dos resultados.

Instinto musical

Ainda em 2012, um teste realizado em 117 canis por alunos da Universidade do Colorado (EUA) evidenciou que os animais atingiam melhor qualidade de sono ao ouvir música de concerto.

Um ano depois, o jornal holandês The Behavioral Processes documentou o sucesso de pesquisadores da Universidade de Keio (Japão) ao treinarem peixes capazes de distinguir compositores durante a alimentação. A metodologia consistiu em tocar diariamente peças de Igor Stravinsky e Johann Sebastian Bach para dois grupos distintos de peixes enquanto recebiam comida.  A constatação veio quando a trilha sonora foi invertida: nenhum deles partiu em direção ao alimento.  Um indício claro, na análise dos cientistas, de que os peixes assimilaram informações suficientes sobre o tom e o timbre de cada compositor. Associando-os à recompensa (comida), eles foram capazes de controlar até mesmo seus próprios instintos.

 Alternativa pop

Outros gêneros musicais também têm protagonizado resultados relevantes.

Um estudo da Universidade de Leicester, na Inglaterra, divulgou que a produção de vacas leiteiras aumentou em 3% (730 ml por dia), desde que baladas pop passaram a ser ouvidas no curral. O hit “Everybody Hurts”, da banda norte-americana R.E.M, ocupava o topo da lista, revelada em 2001.

A conclusão apontou algo surpreendente: as canções lentas e ritmadas trouxeram sensação de harmonia e estimularam o gado a liberar mais ocitocina, o hormônio responsável pela produção do leite.

Para ler ao som de…

Os dois “reinos” também inspiraram alguns compositores a produzirem obras de reconhecida excelência para os palcos e salas de concerto. Na playlist a seguir, estão algumas delas:

– “O Carnaval dos Animais”

Compositor: Camille Saint Säens | Youtube | Spotify

 – “Valsa das Flores” (do balé “O Quebra Nozes”)
Compositor: Piotr Ilich Tchaikovsky
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Concerto nº 1 em Mi maior op. 8, RV 269 – A Primavera (de “As Quatro Estações”)
Compositor: Antonio Vivaldi
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– Sinfonia nº 6 em Fá maior op. 68 – “Pastoral”
Compositor: Ludwig van Beethoven
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– “Valsa das Centáureas e Papoulas” (do balé “As Estações”)
Compositor: Aleksander Glazunov
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– Concerto nº 3 para Flauta Doce, Cordas e Baixo Contínuo em Ré maior op. 10, RV 428 – “O Pintassilgo”
Compositor: Antonio Vivaldi
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– Concerto para Órgão nº 13 em Fá maior, HWV 295 – O Cuco e o Rouxinol – Allegro
Compositor: Georg Friedrich Händel
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