Música

22 de junho de 2018

Arte sob a luz da ciência

Os benefícios trazidos pelo contato com a música e a dança em qualquer fase da vida são cada vez mais reconhecidos. Além das inúmeras experiências que compartilhamos, pesquisas realizadas por comunidades científicas e instituições de ensino de todo mundo contribuem para consolidar este ponto de vista. Hoje sabemos, por exemplo, que a dança faz tão bem à mente quanto ao corpo. A começar pela experiência de assistir a uma performance: afinal, conectar-se emocionalmente aos bailarinos em cena é também estabelecer relações de empatia, confiança e receptividade – algo fundamental no imediatismo dos dias atuais.

Na prática, por sua vez, ela auxilia no desenvolvimento social e cognitivo das crianças, estimula a autoconfiança na adolescência e aprimora a concentração, imprescindível à fase adulta. Em recente publicação, a revista norte-americana Frontiers of Aging Neuroscience trouxe algo ainda mais específico: ao avaliar durante alguns meses diversos grupos de alunos entre 60 e 80 anos adeptos de atividades físicas, neurocientistas concluíram que os praticantes da dança possuíam as melhores condições de preservação da memória.

Quanto mais música, melhor

Há três anos, um grupo de estudos sediado na Universidade de Helsinki, Finlândia, decidiu investigar o comportamento de perfis genéticos de pessoas com e sem experiência musical. A conclusão dos pesquisadores foi taxativa: durante os 20 minutos em que ouviram o Concerto nº 3 para Violino em Sol maior, de Wolfgang Amadeus Mozart, todos apresentaram melhora significativa na atividade de genes ligados ao aprendizado, memória e controle da neurodegeneração.

Tais perspectivas tendem a ser ainda mais animadoras se o estímulo começar desde cedo, como atesta a trajetória do Instituto de Aprendizagem e Ciências do Cérebro da Universidade de Washington (EUA). A instituição transformou a música em importante aliado para obter melhora na resposta cerebral de bebês, auxiliando-os a detectar com mais facilidade padrões de sons e contribuindo para o desenvolvimento da fala.

No Brasil, encontros lúdicos com músicos de orquestras têm contribuído com o desenvolvimento humano e cultural de milhares de crianças e jovens. É o que acontece no festival Música em Trancoso (BA), realizado há sete anos pelo Mozarteum Brasileiro. As aulas de iniciação musical nas escolas públicas da região de Porto Seguro sensibilizam a comunidade, despertam o interesse dos alunos pela música e indicam novos caminhos para a atuação dos professores.

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