Música

28 de abril de 2016

Desvendando a música clássica

Para quem não tem intimidade com o universo clássico, muitas das palavras utilizadas podem parecer “coisa do outro mundo”. Mas trata-se apenas de convenções facilmente compreendidas quando se passa a ter acesso a este tipo de música.

Descomplicar este universo também está entre as ações do Mozarteum Brasileiro que, além de proporcionar um acesso democratizante aos concertos, tem inciativas como o “Clube do Ouvinte”. Lançado em 2001, com ineditismo no Brasil, trata-se de uma série de palestras que acontecem antes de cada concerto em que os palestrantes apresentam os autores das músicas que compõem o programa e explicam as obras que vão ser tocadas – tudo de maneira informal e divertida. O intuito é ampliar o conhecimento dos expectadores sobre o tema e, assim, fazer com que eles possam apreciar as grandes obras de forma mais completa e prazerosa.

Compreenda melhor também este universo conferindo a seguir alguns dos termos mais utilizados:

Clássica, erudita ou de concerto?
Você já deve ter ouvido mais de um desses termos: afinal, é música clássica, erudita ou de concerto? Apesar de gerar controvérsias, todos são utilizados como sinônimos para se referir a este tipo de música, gerada e desenvolvida na Europa há alguns séculos e hoje universal. “Música clássica” é um termo utilizado internacionalmente – em inglês, por exemplo, se usa “classical music”. “Música erudita” é um termo utilizado somente no Brasil, da mesma forma que os alemães chamam-na de “música séria”. Já “música de concerto” empresta o nome de um gênero musical, o concerto (veja abaixo).

Concerto X sinfonia
Concerto e sinfonia são duas das formas mais populares de música feita para orquestra. Basicamente, o concerto é uma obra para instrumento solista e orquestra. O instrumento solo (piano, violino, cello, etc.) desenvolve uma espécie de “conversa” com a orquestra, ao mesmo tempo em que demonstra todo o seu virtuosismo em passagens cheias de dificuldades técnicas. Já sinfonia é uma obra escrita apenas para orquestra. É claro que, no decorrer da peça, há momentos de maior destaque para determinados naipes (grupos de instrumentos) ou mesmo pequenos solos. Mas não há um instrumento solista que se destaque o tempo todo e que fique à frente da orquestra, como no concerto.

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Os períodos musicais
Barroco, Classicismo, Romantismo… Cada um desses termos é usado como uma subdivisão da música erudita, localizando-a tanto temporalmente quanto esteticamente. Assim, o Barroco, vai de 1600 a 1750 e é marcado pelo estabelecimento do sistema tonal, pelo uso do baixo contínuo e pelo contraponto. A música de Bach é o maior exemplo de música barroca. O período clássico ou Classicismo – que emprestou o nome para a música erudita de qualquer período – vai de 1750 a 1810 e preza pela simetria e o equilíbrio. Haydn e Mozart são dois grandes nomes do período Clássico. Já o Romantismo, um dos períodos mais apreciados da música clássica, estende-se por todo o século XIX e é marcado pela expansão da tonalidade e da harmonia, por grandes formas, por arroubos de sentimentos. Há um grande número de compositores românticos célebres, como Mendelssohn, Schumann, Liszt e Chopin.

Allegro, Andante, Moderato…
Certamente você já topou com um desses termos ao ouvir música clássica. Trata-se de tipos de “andamentos” musicais, ou seja, o tempo, a velocidade em que uma música ou parte dela será executada. Tradicionalmente, são utilizados os termos em italiano, que é uma espécie de “língua universal” da música. Assim: “allegro” ou alegre indica uma música de andamento (velocidade) mais acelerada, em oposição a um “andante”, que seria um “andar” compassado e confortável, ou ainda um “moderato” (moderadamente). Há dezenas de outros andamentos musicais, como largo, grave, vivace ou presto.

Música de câmara
Ao contrário da música sinfônica ou orquestral, a música de câmara é escrita para pequenas formações, como um trio, um quarteto de cordas ou qualquer outra combinação entre dois a oito instrumentos, geralmente com uma parte específica para cada um deles. A música de câmara nasceu no século XVIII na Europa e era a música feita em casa (numa “câmara” ou aposento), muitas vezes entre músicos amadores, amigos que se reuniam para momentos de diversão. Algumas das mais importantes peças do repertório da música clássica foram escritas para música de câmara.

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