Conteúdos digitais precisam ser relevantes para a vida das pessoas, apontam especialistas
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Conteúdos digitais precisam ser relevantes para a vida das pessoas, apontam especialistas

Como você vai se informar no futuro? Esta pergunta abriu e norteou o bate-papo organizado pelo Media Lab Estadão no último dia 5 de julho. Clique aqui para acompanhar as discussões na íntegra. O objetivo do webinar foi discutir os principais resultados da pesquisa Digital News Report 2019 da Reuters sobre consumo de notícias digitais em 38 países ao redor do mundo.

Participaram da discussão, mediada pelo jornalista João Faria, os especialistas Luis Fernando Bovo, diretor do Media Lab Estadão e Paulo Silvestre, jornalista e Linkedin Top Voice considerado o sétimo brasileiro mais influente na rede.

Divulgado em junho, o relatório da Reuters em parceria com a Universidade de Oxford está em sua oitava edição. A pesquisa começou em apenas 5 países e agora se expandiu para 38 nações, 24 europeias, sete da Ásia (Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Malasia, Cingapura e Austrália) quatro países na América Latina (Brasil, Argentina, Chile e México), Estados Unidos e Canadá. A África do Sul aparece pela primeira vez no estudo.

A pesquisa deste ano foi realizada em meio a um ambiente complexo de mudanças no consumo de notícias e se focou bastante no modo como as pessoas usam as mídias digitais e sua percepção sobre a veracidade e confiabilidade dos conteúdos.

“Podemos dizer que estamos vivendo uma revolução na comunicação”, afirmou o Diretor do Media Lab Estadão, Luis Fernando Bovo. “É até difícil imaginar e fazer projeções para daqui a 5 anos”.

Para Paulo Silvestre, o relatório mostra que o jornalismo ainda tem importância mesmo num mundo digital. “As pessoas consomem, sim, jornalismo desde que aquilo faça sentido para elas”, destacou o especialista. “Elas nunca se informaram tanto e buscaram tanta informação como hoje. Por isso mesmo, o conteúdo tem que continuar sendo relevante para a vida das pessoas.”

Na opinião de ambos, isso vale tanto para a reportagem como para o branded content. “Marcas têm valores. E o branded content facilita a criação de conteúdos que estabeleçam vínculos com seus consumidores por meio desses valores comuns”, afirma Paulo.

Bovo e Silvestre analisaram o relatório e discutiram como a mudança na forma de consumir notícia afeta a produção de conteúdos. O público participou do debate enviando perguntas.

Confira abaixo os principais assuntos discutidos e as tendências apontadas pelo relatório da Reuters. O Media Lab Estadão também produziu um e-book  com todos os resultados da pesquisa que pode ser baixado aqui.

O contexto brasileiro de produção e consumo de notícias

  • A confiança nas notícias no Brasil caiu 11% no ano passado, depois de uma eleição polarizada e difícil.
  • O Brasil registra o nível mais alto de preocupação entre os países pesquisados a respeito de informações falsas e desinformação, e o uso elevado de redes sociais facilitou a difusão de informações incorretas durante as eleições.
  • Com uma penetração de internet na casa dos 71%, online e televisão permanecem como as principais fontes de notícias no Brasil.
  • 22% dos entrevistados pagam por notícias online e 51% ouviram um podcast no mês anterior.
  • A leitura de impressos caiu para quase a metade desde 2013.
  • Os smartphones não apenas superaram os computadores como equipamentos preferidos para acessar notícias online, mas estabeleceram uma larga vantagem sobre o desktop.
  • Facebook, WhatsApp e YouTube são as redes sociais mais usadas no Brasil.
  • 58% dos entrevistados compartilham mensagens por redes sociais, mensagens ou email.
  • 36% comentam notícias nas redes sociais e nos sites.

A escalada do WhatsApp como ferramenta de distribuição de notícias

“Ao mesmo tempo que o WhatsApp se firma como principal canal de distribuição de notícias, ele é também o principal canal de distribuição de Fake News”, diz Paulo.  “A boa notícia é que o Brasil é o país que mais consome notícias pelo WhatsApp e também o que mais está preocupado com Fake News. Isso se deve muito aos esforços de veículos de comunicação em estabelecer mecanismos de checagem dos fatos, alguns em parceria com o Facebook”, afirmou Bovo.

  • Em muitos países, as pessoas estão passando menos tempo no Facebook e mais tempo no WhatsApp e Instagram, em comparação com o mesmo período no ano anterior.
  • Porém o Facebook ainda permanece como a principal plataforma social para notícias.
  • Rede social preferida dos jovens, o Instagram não é visto por eles como ambiente para se consumir notícias.
  • O WhatsApp se tornou uma rede dominante para compartilhar e discutir notícias em países “não- ocidentais” como o Brasil (53%), Malásia (50%) e África do Sul (49%).
  • Os usuários nesses países são muito mais inclinados a participarem de grandes grupos de WhatsApp com pessoas que não conhecem – com potencial para a disseminação de desinformação e Fake News.
  • No Brasil, 85% concordam com a afirmativa de que estão preocupados com o que é real ou falso na internet, na África do Sul (70%), México (68%), e França (67%) e mais baixa na Holanda (31%), e Alemanha (38%), países menos polarizados politicamente.

Smartphone se consolida como aparelho preferido para acesso às notícias

“Pessoas estão consumindo jornalismo no digital. E o veículo é o smartphone”, diz Paulo Silvestre. “Se a internet 4G não tem qualidade para entregar os produtos, o jornalismo e os conteúdos audiovisuais saem prejudicados neste processo”.

  • As pessoas ainda usam computadores e tablets para acessar notícias, mas o smartphone é o dispositivo mais mencionado em termos de conveniência e versatilidade.
  • Em todos os países, o relatório revela que o smartphone é o principal dispositivo usado para acessar notícias para a maioria dos menores de 35 anos (69%).
  • No Reino Unido, o celular superou em 2017 o desktop e combinado com o tablet é usado pelo dobro de pessoas do que o aparelho de mesa.

A ascensão dos podcasts

Criados na década de 90, os podcasts tiveram um verdadeiro renascimento nos últimos dois anos. “Podcast não é só modismo e vai crescer cada vez mais”, atesta Paulo Silvestre.

  • A maioria usa podcast em casa (58%), no transporte público (24%) ou transporte privado, como carro ou bicicleta (20%). Cerca de um quinto (18%) ouve quando sai de casa (em geral indo para uma caminhada ou para as lojas), com uma proporção similar (16%) ouvindo ao fazer exercícios.
  • Outros 16% encontram tempo ou oportunidade para ouvir os podcasts no trabalho.
  • Em todos os países, as principais razões para ouvir os podcasts são manter-se atualizado sobre tópicos de interesse pessoal (46%) e aprender algo novo (39%). Outras motivações incluem passar o tempo (25%) e como uma alternativa para a audição de música (22%).
  • A duração média dos podcasts – geralmente entre 20 e 40 minutos – é parcialmente influenciada pelo tempo gasto no deslocamento médio.
  • Política e notícias (15%) são apenas uma parte do universo do conteúdo. Outros gêneros populares incluem conteúdo de estilo de vida (15%), crime verdadeiro (12%), interesse especializado (14%) e esportes (9%).
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