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Veículos e Autopeças

De volta para

o passado

A situação vivida pela indústria automobilística brasileira coloca os patamares atuais do setor nos mesmos níveis de dez anos atrás

Depois de anos de bonança, especialmente devido a incentivos fiscais que levaram milhares de brasileiros à compra de veículos, a indústria automobilística brasileira encara retração. Os licenciamentos tanto de autoveículos como o de caminhões novos caíram nos primeiros sete meses do ano. A dificuldade de acesso ao crédito é uma das causas do desaquecimento das vendas.

Conforme levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de janeiro a julho o número de autoveículos (que engloba automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) licenciados caiu 24,7% em relação ao mesmo período de 2015 e no segmento de caminhões a queda foi de 30,9%.

A produção de autoveículos montados também sofreu retração no acumulado de janeiro a julho de 2016 na comparação com 2015. Neste ano, a produção de 1,2 milhão de unidades foi 20,4% menor que as 1,5 milhão unidades do ano passado – e bastante inferior quando comparada aos 2,2 milhões de unidades de 2013. A produção de máquinas agrícolas caiu ainda mais: 30,8%. 

Mesmo diante de um complexo cenário econômico, o setor sinaliza uma estabilização. O licenciamento tanto de veículos como de caminhões aumentou, respectivamente, 5,6% e 11,5% em julho em relação a junho. As exportações também começaram a subir. A alta dos sete primeiros meses de 2016 foi de 20% em relação ao mesmo período de 2015. Contudo, a situação vivida pela indústria automobilística brasileira ainda preocupa, pois os patamares atuais são os mesmos de dez anos atrás.   

Já no segmento de autopeças, o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) acredita que o faturamento nominal pode chegar a R$ 63 bilhões em 2016, o que seria uma queda de 4,5% sobre o registrado no ano anterior. A entidade espera uma pequena recuperação em 2017, de 2,7%, para um faturamento nominal de R$ 64,7 bilhões. O montante ainda está distante dos R$ 80,1 bilhões de 2014; dos R$ 87,6 bilhões de 2013 e dos R$ 91,3 bilhões de 2011.

A entidade aposta que as cerca de 460 empresas associadas devam investir
US$ 414 milhões em 2016, o que representaria um valor 25,1% inferior ao investido em 2015 (US$ 553 milhões).

Como consequência, a massa trabalhadora do setor deve retrair. O Sindipeças projeta que o número de empregados deve chegar a 164 mil ao fim deste ano, nível 4,4% inferior ao apresentado no final de 2015. Segundo a entidade, a queda do número de empregos só não é maior pela utilização de instrumentos como banco de horas, férias coletivas, redução de jornada e salário e o Programa de Proteção ao Emprego (PPE).

Com relação à balança comercial das autopeças, o sindicato diz que, embora ainda deficitária, ela tem apresentado evolução favorável, essencialmente pela queda das importações. A estimativa é de que o saldo será negativo em US$ 4 bilhões em 2016, 28% inferior ao saldo negativo de 2015. Já as exportações devem crescer cerca de 5%, para US$ 7,95 bilhões, enquanto as importações devem cair cerca de 9%, para US$ 11,97 bilhões.

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Investimento dá forças para vencer a maré

Em setores fortemente afetados pela crise, empresas apostaram em desenvolvimento de tecnologias e produtos para seguir crescendo

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Voos mais altos: A empresa de São José dos Campos (SP) quer se manter na liderança do mercado internacional de jatos com até 130 assentos

Competindo em um mercado global e de alta complexidade, a brasileira Embraer, primeiro lugar no ranking Empresas Mais na categoria Veículos e Autopeças, aposta na inovação. De acordo com o vice-presidente de estratégia e relações institucionais, Nelson Salgado, a fabricante de aeronaves possui quase 6 mil pessoas dedicadas a atividades de pesquisa e desenvolvimento e tem 46% de suas receitas oriundas de inovações implantadas entre 2010 e 2014.

O ano passado, de acordo com Salgado, foi marcado por um cenário desafiador também na indústria aeroespacial. “Aproximadamente 90% das receitas da Embraer advêm de exportações e são, portanto, atreladas mais ao desempenho da economia global do que à economia nacional. Não obstante, a empresa tem a maior parte dos seus funcionários e plantas industriais no País e não está totalmente isenta da conjuntura local, especialmente no segmento de defesa”, explica o vice-presidente.   

Para vencer o cenário global, a Embraer está investindo US$ 1,7 bilhão no desenvolvimento da segunda geração da família de e-jets comerciais, que tem como objetivo manter a Embraer na liderança do mercado de jatos até 130 assentos. O primeiro jato, o E190-E2, que se encontra em fase de testes, chegará ao mercado em 2018. A fabricante também aposta em novos jatos Legacy para a aviação executiva e, no segmento de defesa e segurança, está desenvolvendo o jato de transporte multimissão e reabastecedor KC-390, atualmente em fase de testes. Esta será, segundo a Embraer, a maior aeronave já projetada e produzida no Brasil.

Menos poluição

Apostar em investimento em tecnologia, mesmo em momentos adversos, tem sido a fórmula da fornecedora para a indústria automotiva Mahle Metal Leve, segunda colocada no ranking. Claus Hoppen, diretor-presidente da companhia, explica que adequar o mix de mercado para equilibrar a atuação entre os fabricantes do equipamento original e para o segmento de peças para reposição, denominado aftermarket, tanto nos mercados interno e externo, foi a maneira de compensar as oscilações nos diferentes segmentos e mercados e de estabilizar as margens de lucratividade ao longo do tempo. “Apresentamos crescimento de 4,3% da nossa receita líquida em 2015, apesar do ambiente macroeconômico e político adverso, lembrando que a produção de veículos no Brasil e na Argentina teve queda de 23% em 2015”, ressalta.

Entre as tecnologias desenvolvidas, Hoppen destaca os componentes de motores à combustão e filtros em linha com as recentes tendências mundiais de demanda por motores menores e mais leves, mais econômicos e de menor impacto ambiental. “O domínio dessas novas tecnologias nos torna aptos a continuar fornecendo componentes que ajudem os nossos clientes a cumprir as recentes metas de redução de emissões de gases poluentes.”

Também fornecedor das montadoras de veículos, o Grupo Moura, terceiro colocado no Empresas Mais, investiu na melhoria dos produtos, na produtividade dos processos fabris e de distribuição e no fortalecimento da marca junto aos clientes em todo o Mercosul. “Acreditamos que a conjunção desses fatores permitiu que nossos resultados resistissem ao cenário econômico adverso”, reflete Tiago Tasso, diretor financeiro e de controladoria do Grupo Moura. Em 2015, apesar de fortemente afetado pela queda na produção de veículos tanto no Brasil como na Argentina, o crescimento da receita foi de cerca 5%, puxado pelas vendas para os mercados de reposição. Atuando como fornecedores em cadeias que passaram por fortes retrações nos últimos anos, o grupo sofreu com a redução da produção e do investimento das empresas das indústrias afetadas, como a automotiva e de logística.

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