Em 2002, apenas 1% dos universitários brasileiros faziam faculdade por meio do ensino à distância (EaD). A maioria não conhecia bem a metodologia, e a baixa qualidade da internet não colaborava na popularização dos cursos. Apenas dez anos depois, esse cenário mudou. Hoje, os estudantes de EaD representam 21% das matrículas no ensino superior, e o futuro parece promissor para quem deseja estudar com mais flexibilidade e menos gastos. “O EaD não é mais novidade. É uma realidade e é a modalidade que mais cresce no mercado. As estatísticas dizem que entre 2020 e 2022 teremos uma quantidade maior de alunos no ensino à distância do que no ensino presencial no País”, afirma o consultor educacional Eduardo Samek.

O perfil do estudante também vem mudando com os anos. Os adeptos do EaD eram pessoas mais velhas que optavam por esse caminho porque geralmente não podiam pagar pelos estudos na versão presencial. Com o tempo, ele foi se popularizando entre os mais jovens – atualmente, a maior parte dos alunos do EaD tem entre 19 e 40 anos de idade. A metodologia de ensino também passou a ser mais reconhecida pelas empresas e ganhou principalmente quem já está no mercado de trabalho, tanto no nível da graduação quanto da pós-graduação.

No Brasil, mais de 1,7 milhão de pessoas optaram pelo EaD e estudam com maior flexibilidade e com custos bem mais baixos do que os praticados pelas faculdades presenciais, sendo esse ainda um dos principais destaques da modalidade. Para se ter uma ideia, um curso EaD custa em média R$ 295. Já no formato presencial, o valor médio é R$ 1.000.

 

Mudanças nas regras
Uma alteração na legislação feita pelo Ministério da Educação no final de 2018 mudou as regras do ensino presencial e à distância, diversificando ainda mais a maneira de estudar dos universitários. A partir de 2019, os cursos de graduação à distância devem oferecer apenas 30% das aulas de modo presencial. “O ideal é que os cursos ofertem atividades práticas, em grupo e em laboratório nos encontros presenciais, e deixem as aulas das disciplinas teóricas para o EaD”, explica Samek, que oferece ensino à distância em sua instituição Unialphaville e também faz consultoria em EaD para universidades como a São Camilo.

Nos cursos de pós-graduação à distância, a obrigatoriedade de parte das aulas ser em um polo foi eliminada. Já na modalidade presencial, a mudança na lei ampliou de 20% para 40% a carga horária que pode ser ofertada à distância, salvo em cursos de engenharias e saúde, que continuam com a mesma carga horária anterior. “Acredito que, daqui a poucos anos, não vai mais existir essa diferenciação. Os cursos estão caminhando para equilibrar cada vez mais os dois formatos”, completa Samek.

Tecnologia a favor da educação
Quando começou a ficar conhecido, o EaD tinha como maior promessa tecnológica o ensino interativo e adaptativo, que poderia focar no aluno de acordo com suas necessidades e no seu tempo. Mas essas inovações já se tornaram realidade, e, em tempos de Black Mirror, o que futuro apresenta é ainda mais interessante.

Mais internet, mais qualidade
A expectativa de melhores satélites de internet, que poderão ofertar qualidade 5G, também chegou ao campo da educação. Hoje, embora já mais difundida, a conexão em alta velocidade ainda não chega em lugares remotos. Com a melhora nesse setor, mais pessoas terão acesso ao EaD e suas possibilidades.

Reconhecimento facial
A biometria facial, recurso que permite observar os alunos durante as aulas e as provas, é outra aposta do setor. Muitas universidades nacionais e internacionais já utilizam a tecnologia, que consiste basicamente em observar o estudante durante as atividades de prova e aulas. Segundo Samek, o objetivo é tornar as aulas mais atraentes.

Material didático em múltiplas linguagens
Se você acha que é de apostilas e livros digitalizados que o EaD é feito, melhor se atualizar. Embora o currículo deva ser igual ao do curso presencial, os recursos são variados. Vídeos, podcasts, jogos, plataformas responsivas, realidade virtual e aumentada são alguns dos atrativos.