Bem-estar animal

A responsabilidade é de todos

Conselho Federal de Medicina Veterinária lança campanha para promover bem-estar animal

Uma campanha a favor do bem-estar animal foi lançada nesta terça-feira (18) durante o IV Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal, realizado em Porto Alegre (RS). A ação é promovida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

O objetivo da iniciativa é mostrar ao público que o bem-estar animal deve ser considerado nos diferentes setores da sociedade em que os animais estão envolvidos, seja em casa, no campo nos zoológicos, nas universidades ou no transporte. Segundo o Conselho, os médicos veterinários e zootecnistas devem estar presentes em todas essas áreas e ter conhecimento sobre o comportamento e características de cada espécie.

O que motivou a ação foi o crescente reconhecimento, tanto no meio acadêmico veterinário quanto pela sociedade em geral, da “senciência animal”, que é a capacidade dos animais de sentir emoções. “Procuramos desenvolver a campanha não apenas como esclarecimento, mas para a conscientização de que os animais também são seres que sentem dor, medo, alegria”, diz Benedito Fortes de Arruda, presidente do CFMV.

Uma das formas mais reconhecidas de diagnosticar o bem-estar animal é avaliar as “Cinco Liberdades”, conceito desenvolvido nos anos 1990 pelo Conselho do Bem-Estar de Animais de Produção do Reino Unido (veja quadro “Para viver bem”). Elas englobam os principais aspectos que influenciam a qualidade de vida dos animais, como alimentação, espaço, cuidados com saúde e ambiente livre de estresse.

“Os animais são seres com interesses próprios, mas muito mais vulneráveis, porque nós, humanos, tomamos as decisões por eles”, afirma Carla Molento, presidente da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal do CFMV e professora associada e coordenadora do Laboratório de Bem-estar Animal (LABEA/UFPR) da Universidade Federal do Paraná.

São os tomadores de decisão, os responsáveis pelos animais, aqueles que mais precisam estar atentos às maneiras de atingir esse estado de bem-estar, segundo o CFMV. Não apenas os médicos veterinários e zootecnistas, mas também os cuidadores e mantenedores (como pessoas que mantêm animais de estimação e produtores) devem  assegurar a qualidade de vida dos animais sob sua tutela.

A campanha também busca explicar o conceito de “bem-estar único”, que consiste em agregar a qualidade de vida humana, animal e a preservação do meio ambiente. Essa integração pode acontecer em qualquer setor que envolva os animais, como o manejo na produção. Para Carla Molento, sistemas que usam o confinamento excessivo como forma de redução dos custos de produção são exemplos negativos, pois apresentam um baixo grau de bem-estar. “São ambientes que favorecem uma queda na capacidade imunológica e o aparecimento de doenças e também podem provocar perdas na produção e interferir na qualidade da carne”, diz Molento. Ou seja, a promoção da qualidade de vida do animal, além de ética, é benéfica para todas as partes (veja quadro “Qualidade de vida para todos” para ler outro exemplo).

A campanha do CFMV contará com diversas peças e ações: podcasts sobre o tema com médico veterinário e zootecnista; distribuição de folders informativos; exibição de vídeos de 30 segundos em canais fechados de TV e em redes de cinema de todo o Brasil; posts no Facebook; cartazes em Instituições de Ensino; anúncios em revistas; avatar para perfil do Facebook; além de um quiz digital com perguntas para testar o conhecimento bem-estar animal.

Para viver bem
Saiba quais são os cinco quesitos que devem ser garantidos para proporcionar bem-estar aos animais

Uma das maneiras de atestar a qualidade de vida dos bichos é verificar se eles estão tendo acesso às “Cinco Liberdades”, conceito desenvolvido por um conselho do governo britânico nos anos 1990. Conheça as liberdades:

1 – Liberdade nutricional
Considera se o animal recebe comida e água em quantidade, qualidade e frequência ideais, se pode se alimentar sempre que precisa e se sua dieta é adequada às suas condições fisiológicas e necessidades calóricas.

2 – Liberdade de dor e doença
Refere-se à boa saúde física e à ausência de ferimentos. Envolve a administração das vacinas necessárias para prevenir doenças e passar por procedimentos veterinários com anestesia e analgesia, para evitar a dor.

3- Liberdade de desconforto
Tem a ver com o acesso do animal a um espaço adequado e se ele está exposto a temperaturas e superfícies apropriadas, com espaço para descanso.

4 – Liberdade de comportamento
Significa permitir que o animal possa agir como é natural de sua espécie. Por exemplo, o comportamento natural de um pássaro é voar, então uma ave presa em uma gaiola está sendo privada dessa liberdade.

5 – Liberdade de medo
Diz respeito a criar o animal em um ambiente que não provoque estresse ou emoções negativas. No sistema de produção de alimentos, o transporte dos animais é uma etapa que pode gerar muito medo, por exemplo, e ações devem ser tomadas para reduzir isso.

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